Projectos para combate à seca em construção no Cunene

a construção do sistema de transferência de água do Rio Cunene, a partir da localidade de Cafu, até Shana, nas áreas de Cuamato e Namacunde, começou, nesta Sexta-feira, com o lançamento da primeira pedra e o acto de consignação da obra, narrou a ANGOP

Com este acto, assinado, pela parte angolana, pelo director-geral do Instituto Nacional de Recurso Hídricos (INRH), Manuel Quintino, e pela construtora chinesa Sinohydor, por Jack Donge, dá-se início à construção de uma central de captação de água no rio Cunene, do sistema de bombagem e da conduta a partir de Cafu até Cuamato.

O projecto tem financiamento avaliado em 200 milhões de dólares norte-americanos, aprovado pelo Presidente da República, João Lourenço, em Abril deste ano, que incluiu ainda a construção das barragens de Caculuve e Ndúe. Contará também com uma estação de bombagem de dois mil metros cúbicos por segundo, uma conduta de 57 quilómetros e 30 chimpacas (reservatório tradicional de água nas zonas rurais).

O primeiro lote vai custar ao Estado AKZ 21.469.139.880,0 e o segundo AKZ 22.889.220.771.91, beneficiando, directamente, 470 mil habitantes e 500 mil animais. A execução dos projectos tem a duração de 18 meses e vai criar 330 novos postos de trabalho, permitindo, também, a irrigação de cinco mil hectares de campos agrícolas.

As fases subsequentes englobam a construção de duas barragens nas localidades de Caculuve e Ndúe, com o objectivo de aprovisionar água para ser canalizada a áreas sem este recurso. O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, afirmou que essa acção marca definitivamente a vontade de terminar com os efeitos da seca na vida da população da província do Cunene.

A seca no Cunene é um fenómeno cíclico, que remonta a 1995 e a cada cinco anos vai ressurgindo com intervalos de períodos de cheias. Com efeito, registou-se seca em 2008, 2011 e 2017, desalojando mais de 400 famílias, actualmente realojadas nos bairros de Cashila III e Ekuma Nahuma, arredores de Ondjiva.

A seca deste ano é a pior e mais devastadora dos últimos 24 anos (desde 1995) da história do Cunene. No âmbito do plano de emergência de combate à seca e à fome, a província do Cunene beneficiou, este ano, de 3.9 mil milhões de kwanzas para a aquisição de bens diversos.

O Governo local adquiriu 20 camiões-cisterna de 20 mil litros, 20 tractores com tanques de água atrelados e 400 reservatórios, a maioria dos quais colocados em pontos estratégicos das 20 comunas. Está também em curso a reabilitação de 171 furos de água, uma média de 28 furos por cada município, num total de seis.

O Cunene conta ainda com 88 moto-cisternas, cada uma com capacidade para mil litros, que fazem parte de um lote de 1500 moto-cisternas por chegar a província para reforçar a capacidade de distribuição de água à população afectada pela seca na região.

A província do Cunene vive, desde Outubro de 2018, uma acentuada crise, com 880 mil e 172 pessoas e um milhão de cabeças de gado afectados pela seca, que já causou a morte de 30 mil animais, entre bovinos, caprinos e suínos.

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