16ª edição da Projekta 2019 com poucos negócios e encerra sem público

A reclamação vem de grande parte dos expositores que apelam à organização a repensar a ocasião e local da realização do evento

Por:André Mussamo
Apesar de poucos negócios, alguns dos participantes na edição da maior bolsa do sector imobiliário admitem ter realizado uma “boa” exposição de materiais de construção civil produzidos localmente e materializado “algumas” parcerias empresariais. A 16ª edição, a Projekta /2019, encerrou as portas neste Sábado, 16, na Zona Económica Luanda/ Bengo, com poucos visitantes, tendo sido o último dia o pior em termos de presença, como revelaram à nossa reportagem alguns dos 100 expositores que estiveram a participar no evento. No local estiveram expostos artefactos de betão, tubos, ferros, cimento, chapas de zinco, cabos eléctricos, material cerâmico, véiculos, alguma oferta no sector imobiliario, entre outros. A organização estimava no início receber cerca de 15 mil visitantes.

Os expositores

Tom Sabau é um dos expositores que se queixou da fraca afluência de visitantes. O investidor de nacionalidade zimbabueana esteve a expor manufacturados “Flo-Tek”, um produto que aos poucos vai marcando passos no mercado angolano, nomeadamente com recipientes para água e combustível e uma série de acessórios úteis para construção civil.

O Zimbabueano, apesar de queixar-se da fraca afluência e da “fraca capacidade de comunicar em português” não considera “tempo perdido” a sua estada no evento por três dias, atendendo que amiúde conseguiu receber algumas pessoas muito interessadas nos seus produtos. Está presente com produtos “Flo-Tek” em mais de 4 províncias e diz com isso ter criado cerca de 150 postos de trabalho. Mais uma vez os ventos menos favoráveis à economia angolana são até ao momento o principal motivo de queixa, entretanto, o país é ainda um mercado no qual vale a pena apostar. Jorge Axel da “Propricasa” uma operadora do sector imobiliário, diz que o negócio no sector está em baixa e a feira pode ter sido uma oportunidade para alavancar a actividade. O operador faz um balanço positivo do evento.

Axel aponta uma retracção na ordem dos 40 a 50% agravada pela não adesão de investidores que continuam a olhar para o mercado angolano com receios, dada a conjuntura da nossa economia. Do Cuanza-Sul chegou para a Projekta a marca de cimento “Yetu” e, segundo o seu representante, não obstante a fraca adesão de visitantes, ainda assim foi possível recolher contactos, incentivar parcerias e atrair a atenção de alguns empreendedores. João Brito da Silva, chefe do Departamento de Vendas da Fábrica de Cimento do Cuanza-Sul (FCKS) garante que a sua empresa é detentora de uma frota de camiões capazes de levar o produto a qualquer cliente interessado, bastando que para tal manifeste a vontade, cumpra os procedimentos em termos de contratos.

“Nós levamos o cimento Yetu a todos os pontos de Angola e neste momento não temos constrangimentos de nenhuma ordem, senão o mercado que vai encolhendo cada vez mais”, afirmou. Para ele, pode ser que algum “ar fresco” seja trazido para o mercado com o arranque dos projectos de construção no âmbito da implementação do PIIM, um ambicioso projecto gizado pelo Executivo que traz consigo uma significativa componente de construção de infra-estruturas. A Trading Constroi é outras das marcas que não deixou os seus créditos em mãos alheias. Segundo um dos seus representantes, enquanto maior vendedor de material de construção, não podia deixar passar uma oportunidade como esta feira especializada.

Com mais de 4 centenas de funcionários, a empresa está espalhada por vários pontos de Luanda e em algumas províncias, pelo que a feira foi uma ocasião de promoção do que “possuem” em stock e a promoção de formas de acessibilidade para a aquisição da sua longa lista de oferta de materiais de construção. Rui Abreu garantiu que, apesar da redução das vendas, os postos de trabalho na “Trading Constroi” estão garantidos e os salários dos colaboradores salvaguardados.

Visitantes queixam-se da distância e falta de transporte

Sandra e Helena são duas empreendedoras que se deslocaram à Projekta Angola 2019 no último dia na esperança de encontrar vendas competitivas e aproveitar a ocasião. Entretanto, “houve pouca oferta ao nosso alcance”. “Nós viemos de boleia e comprar aqui produtos, depois alugar viaturas para o transporte não compensa”, contaram as jovens. Para ambas, a organização precisava montar uma operação logística que permitisse a abertura de linhas especiais de transporte que pudessem levar as pessoas no mínimo desde a intecepção da estrada da ZEE a Nacional 230, e por via disso, facilitar a chegada de visitantes. “Quem não teve boleia não podia arriscar vir até aqui. Desde a estrada principal até chegar aqui ainda são uns bons quilómetros e não há transporte senão a boa fé de pessoas com carrinhas que às vezes ajudam os visitantes a chegar ao local”.

Projekta Angola

A feira aconteceu em simultâneo com o Salão Imobiliário de Angola (SIA), denominada Projekta e SIA/2019, que decorreu sob o lema “Projectar o Futuro, Construindo o Presente”. Projekta e SIA/2019 é uma acção conjunta entre a Eventos Arena e a Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA) e esteve centrada na apresentação de soluções para construção civil, reforma de obras dos sectores das Obras Públicas, Urbanismo, Arquitectura e Imobiliário. A iniciativa contemplou desde opções de materiais para construção civil, fontes alternativas de energia, formas de segurança, portões, mobiliário, decoração, papéis de parede, entre outras novidades destes sectores. Em 2018, a Projekta foi realizada em simultâneo com a Expo- Indústria, congregando mais de 200 expositores, e na óptica dos participantes de 2019, devia ser considerada a hipotese de continuar a ser um evento em simultaneo, para maximizar os proventos como foi o ano passado

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