A mudança que se espera na aposta que se segue

antes mesmo de entrar para a grande “bomba” que, por um lado, caiu como balde de água fresca na cabeça alguns e, por outro, foi o reafi rmar de uma certeza há muito esperada, eu gostava mesmo de voltar as minhas atenções para o signifi cado deste último congresso da UNITA, tendo sobretudo em atenção aquilo que se espera desta força política depois do exaustivo processo de debate e engajamento popular que culminou com a eleição de um novo presidente. Uma realidade incontornável que marcou o XIII Congresso Ordinário do partido do Galo Negro foi o facto do congresso ter sido da UNITA mas a participação não se ter esgotado entre as quatro paredes de quem é militante ou era delegado ao congresso. Apesar de ter existido, sim, uma infeliz tentativa de se “obrigar a calar” quem não fosse delegado ao congresso por parte de alguns membros conhecidos e bem identifi cados na UNITA, o que considero um autêntico desrespeito ao eleitorado, prevaleceu o bom senso e a vontade de se colocar Angola acima dos símbolos partidários. O engajamento, debates, refl exões, comentários, participação directa e indirecta, campanha, etc de não militantes da organização partidária foi um dos momentos mais interessantes de todo o processo, na minha perspectiva, claro que sob uma visão de fora-para- dentro, pois é sinônimo de um processo de maturação política, sobretudo por parte do eleitorado, que hoje já não quer saber só qual isRael campos é o partido mas se demonstra cada vez mais preocupado e interessado com quem lidera e como chega a liderança. Neste sentido penso ser de mérito aqui uma nota positiva a todos os intervenientes do processo e principalmente à UNITA por ter permitido um cenário que eleva a democracia interna dos partidos políticos ao mais alto nível. Adalberto da Costa Júnior é o novo presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola, ou simplesmente UNITA. As “boas novas” foram anunciadas no fi m da tarde da passada sexta-feira à margem do oitavo congresso do partido do galo negro que decorria deste dia 13 em Luanda. Adalberto era, sem qualquer medo de errar, uma das maiores apostas de quem mesmo a partir de fora do partido torcia por uma “UNITA melhor” e como consequência uma oposição mais interventiva e actuante que resultaria em uma pressão que deixaria pouco espaço de manobra para quem governa e tem o poder. E não é muito difícil se explicar o porquê que Costa Júnior era a escolha da sociedade civil. Sabem porquê? Pois só se escolhe aquilo que se conhece. É que para além de ser o homem dos aplaudidos discursos, da retórica invejável e da intervenção oportuna, Adalberto da Costa Júnior era um dos, se não o, candidato mais popular no seio da sociedade, sobretudo no meio da juventude, a maioria em Angola. A campanha eleitoral que antecedeu o congresso da UNITA veio evidenciar também o fraco, pobre e às vezes inexistente trabalho de marketing político no seio das equipas de apoio aos nossos políticos, se é que existem. Todos os 5 candidatos à presidência da UNITA são fi guras conhecidas e respeitadas dentro do partido. Mas que visibilidade social é que têm? O quê que pensam sobre o país? O que têm feito em prol do mesmo? Estes são questionamentos que se impõem – sem retirar o mérito de actividade a quem quer que seja – pois em política de nada adianta termos feito tanta coisa se as pessoas não sabem delas, pois que o centro da actividade política são as pessoas e os seus desejos. E este será um dos grandes desafi os que Adalberto da Costa Júnior terá enquanto presidente da UNITA… mas sobre eles já voltamos a falar… Apesar de que Adalberto teria sido candidato “certo” se os resultados dependessem do voto popular, as coisas internamente não pareceram sempre muito simpáticas para o seu lado. Colhendo várias polêmicas, próprio de jogos desta natureza, ao longo do seu caminho há quem tivesse sugerido até que Adalberto tinha tido todos os motivos para desistir da batalha política e optar por outros caminhos. Felizmente não o faz e vence dando uma grande licção de sabedoria, perseverança e resiliência. os desafi os da vez Uma sabedoria que esperamos que seja utilizada ao serviço de um partido que precisa de sair da estante histórica e ser reintroduzido à sociedade. Na última edição do programa “Política no Feminino” da TPA, a socióloga e comentarista Tânia de Carvalho bem exaltava o papel importante que Isaías Samakuva teve na desconstrução de alguns conceitos propositadamente mal concebidos em torno da UNITA. Destruídos alguns destes preconceitos é importante que o novo dono da cozinha, ou do galinheiro, como preferirem, seja capaz de limpar os cacos dos vasos destruídos e comprar novos para a devida substituição. Este caminho da revitalização da UNITA só será possível com uma nova forma de se relacionar com a sociedade. Felizmente Alberto da Costa Júnior é muito bom neste sentido mas é importante que a partir de hoje garanta que esta relação não continue a ser uma relação entre o povo e o Adalberto da UNITA mas sim uma relação entre o povo e a UNITA. Um dos grandes desafi os que esta “nova” UNITA terá é o de mostrar à sociedade de que mais do que ter um líder bem conhecido e respeitado pela sociedade eles terão um partido mais aberto ao diálogo e a interação com os populares. Para isto, é importante que os cidadãos, os mais jovens sobretudo, conheçam os dirigentes da UNITA, saibam o que eles pensam e o que estão a fazer para um país melhor. Há rostos na UNITA que só são vistos aquando de congressos. Não é possível!!! Para a mudança deste quadro é também imperativo que a LIMA – organização feminina da UNITA – e a JURA – organização juvenil da UNITA – sejam estruturas mais activas com maior participação social no país. À semelhança do que bem ou mal tem vindo a acontecer no MPLA, é preciso que Adalberto assuma um compromisso sério com a valorização dos jovens e das mulheres pois é chegada altura destes segmentos terem mais voz e vez dentro da organização. Porque não uma senhora como vice- presidente ou futuramente até candidata à presidente do partido? Os bons exemplos dados pelos outros precisam de ser seguidos e copiados. Jlo felicita adversário O presidente da República, João Lourenço, utilizou a sua conta do twitter, enquanto presidente do país e não do MPLA, para felicitar Adalberto da Costa Júnior pela recente eleição. Mais um sinal vivo de que acima dos partidos deve estar sempre em primeiro lugar Angola e os angolanos. João Lourenço esteve muito bem com este exemplo de patriotismo que nos garante que o cenário eleitoral para o pleito de 2022 será um momento histórico para a nossa democracia. Vence o país e a necessidade, cada vez mais urgente, de se fazer política comprometida e responsável para o benefício do povo.

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