Culturas angolana e brasileira ‘cruzam-se’ no Centro São Rafael

Alunos com trajes tipicamente angolanos, feitos em tecido de “pano africano”, emocionaram- se ao desfilar na actividade que se pautou pela apresentação de parte da cultura angolana

Antónia Gonçalo, em São Paulo, Brasil

O palco do Centro Educacional Unificado São Rafael (CEU), em São Paulo, Brasil, acolheu demostrações culturais realizadas pelos alunos e artistas angolanos Antónia Gonçalo, em São Paulo, Brasil da Associação Globo Dikulu, resultante do intercâmbio cultural com oprojecto brasileiro Colectivo Raízes. O acto realizado ao longo de mais de duas horas começou com a leitura de mensagens relacionadas com o Dia da Consciência Negra, a 20 do corrente mês, feitas pelos alunos desta instituição, seguida pela declamação de poesia que alertava sobre os vários assuntos constrangedores para a população, com realce para os direitos humanos. Mais tade, os estudantes e intercambiastes desfilaram neste palco com vestimentas típicas usadas em Angola, com destaque para o traje “Bessangana”, usado por mulheres da região da Ilha de Luanda.

Esta mesma indumentária é vestida também pelas senhoras do subgrupo Ambundu, afecta às regiões do Bengo e Malanje, conforme explicou a professora Glória da Silva, referindo-se ao seu uso, que implica a utilização de lenço na cabeça,quimonos e vários panos, conforme se apresentou no evento. Os alunos que usaram entre camisas, quimonos, missangas, trajados de panos africanos, emocionaram-se ao desfilar nesta actividade que se pautou pela apresentação duma parte da Cultura angolana.

Artefactos

Em seguida, o dançarino angolano Inocêncio de Oliveira, através da dança Tchianda, apresentou-se com a indumentária “O mensageiro”, que comporta as províncias da Lundas Norte, Sul e do Moxico. O coreógrafo brindou ainda o público com a exibição da vestimenta “Cubalekessa”, do Cuando Cubango, que significa “brincar”. A mesma teve o suporte da máscara Mwana Pwó, da etnia Tcokwé, através de uma cobertura de tecido. Sobre a última exibição, Inocêncio contou que no país, ao invés da máscara, é utilizado um saco de serapilheira que cobre o corpo. Esclareceu que devido a pesquisas realizadas sobre as vestes, decidiu-se criar outros elementos, como a máscara, feita de material reciclado, de modo a realçar e melhor “vender” a cultura angolana.

Coreografias

O grupo folclórico de Benguela, “Bismas das Acácias”, fundado em 1984, com as suas danças nacionais denominadas “Do pescador”, “Dança da paz”, “Koti Kolombula” e “Tembo yo kukunlã” fez vibrar o colectivo presente com ilustrações dos vários aspectos culturais do povo angolano. “Estamos aqui para fazer o intercâmbio com vocês. Trazemos precisamente essas danças, mas também estamos a aprender outras que nos são ensinadas”, enfatizou a responsável do grupo, Deolinda Trindade. A dança capoeira, uma representação cultural que mistura o desporto, luta, dança e a música, assim como o Funk, fizeram-se presentes nesta demostração cultural, com o objectivo de atrair a atenção dos angolanos e brasileiros presentes no evento.

CEU São Rafael

Escola pública de educação infantil, para além das várias lições, ministra actividades extra- curriculares de modo a capacitar os alunos nas dispiclinas artísticas como a dança, música e o teatro. Por sua vez, a directora agradeceu aos angolanos a intervenção, por ter observado ser benéfico para eles, tendo contribuído para desmistificar a história e a cultura africana. “Este encontro foi benéfico para eles, uma vez que na escola pouco se aborda a Cultura africana. Eles precisam de interagir mais com outras culturas, de modo a conhecerem a sua origem”, considerou.

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