FNLA realiza congresso ordinário em Dezembro

O presidente da FNLA, Lucas Ngonda, convocou o V Congresso Ordinário do partido que dirige para os dias 12 e 13 de Dezembro do ano em curso, em acto a realizar-se em Viana, arredores de Luanda

Por:Ireneu Mujoco

decorrer sob o lema “ Marchemos Juntos para a Harmonização e Coesão do Partido”, o conclave foi convocado no quadro da “unidade, reconciliação e coesão Interna do Partido”. Recentemente, ou seja, no dia 25 de Outubro deste ano, a direcção de Lucas Ngonda assinou um documento designado “Pacto de Entendimento” com duas alas, sendo uma liderada por João Nascimento, do “Grupo dos Seis” e outra de Carlitos Roberto. Este último é filho de Holden Roberto, o presidente-fundador da FNLA. Ele foi deputado à Assembleia Nacional entre 2006 e 2008, na vigência de Ngola Kabangu como líder do partido. O objectivo deste pacto, sem a participação das alas de Ngola Kabangu, de Ernesto Tristão, e de Fernando Pedro Gomes, era para colocar fim às várias fragmentações que este partido vive.

Reacções

O antigo porta-voz de Lucas Ngonda, Laiz Eduardo, um dos membros do Comité Central que organizaram o congresso extraordinário realizado em Junho de 2018, que aguarda homologação do Tribunal Constitucional, recusou-se a comentar sobre o assunto, alegando ser inoportuno fazê-lo nesta altura. Resumiu que, tendo em conta as divergências que ainda existem, apesar do pacto, seria arriscado fazer qualquer análise o sobre o convocado congresso. Quanto às alas de Tristão Ernesto e Ngola Kabangu, em conferências de imprensas realizadas recentemente em Luanda, mostraram-se indisponíveis para participar num congresso convocado por Lucas Ngonda.

Ambas as alas denunciaram ter havido incongruências na fase derradeira das conversações com a actual direcção da FNLA. A ala de Ngola Kabangu abandonou o grupo negocial durante o processo de entendimento, alegando falta de garantias de um congresso electivo este ano.

A origem da crise

Esta força política atravessa uma crise de liderança há 22 anos, depois de o actual líder, Lucas Ngonda, na altura secretário para a informação, ter rompido com o presidente- fundador Holden Roberto, criando um alegado movimento reformista no seio deste partido, mais sem sucesso. Ngonda levou consigo um grupo de quadros, entre os quais Paulo Jacinto, Miguel Pinto, Alberto Mavinga, Laiz Eduardo, João Nascimento, Nsanda Wa Makumbu, Carlinhos Zassala, com os quais viria a se incompatibilizar-se por divergências internas.

A crise de dirigismo agudizou-se com o afastamento pelo Tribunal Constitucional de Ngola Kabangu, que dirigiu o partido entre 2006 e 2008, eleito num congresso. Kabangu concorreu com Miguel Damião e Carlinhos Zassala, mas este último denunciou ter havido irregularidades no congresso, interpôs um recurso ao Tribunal Constitucional que resultou na invalidação do conclave. O acórdão recomendava a realização de um outro conclave, decisão rejeitada por Ngola Kabangu, por achar que estava a ser injustiçado por este órgão jurisdicional.

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