OTCHIVA quer salvar o ecossistema nacional

Jovens voluntários de diferentes pontos do país unem-se para salvar os mangais, vegetação situada normalmente nas zonas de confluência entre rios e o mar, responsável por 80% da vida marinha, revelou Osvaldo de Jesus, coordenador do projecto OTCHIVA em Luanda, ao jornal OPAÍS

Por:Stela Cambamba

Osvaldo de Jesus afirmou que, quando o ecossistema está cuidado, é possível evitar diversos constrangimentos, sobretudo as calemas, inundações, ventos fortes e cheias. Sendo que os ecossistemas dos mangais permite estabilizar ou atenuar os fenómenos naturais. Entretanto, quando é devastado a catástrofe está à porta, tal como aconteceu na cidade do Lobito e, recentemente, em Moçambique. Em função disso, o projecto OCTIVA ambiciona contribuir para a protecção do eco-sistema Nacional.

Para tal, contam com vários núcleos formados nas provinciais de Benguela, Luanda, Cabinda e Zaire e brevemente vão criar outro no Cuanza-Sul. “Os peixes protarsos minúsculos reproduzem-se nos mangais, por essa razão, se nós não cuidarmos dos mangais, nos próximos tempos poderemos não ter grandes quantidades de peixes, caranguejo, entre outros. Há ainda o risco de os flamingos fugirem do país”. Segundo Osvaldo de Jesus, os flamingos fogem porque alimentam- se de micros espécies que se encontram nos mangues, o que origina o tom das penas cor-de-rosa, em função da qualidade da alimentação.

Quando não há esses alimentos ficam descolorados e acabam por fugir. A nível do país existem zonas  pequenas que têm plantações de mangais que estão cuidadas, mas grande parte das que existem estão em ponto morto. É nestes locais que os membros do projecto OTCHIVA se dedicam a desenvolver os seus trabalhos, tais como limpar a área, reflorestar e cuidar do meio ambiente. Trabalhos do género têm sido desenvolvidos em alguns países como o Brasil, que plantou em apenas um dia 27 mil mangues e o México que conseguiu plantar 29 mil. Estes dois exemplos servem de impulso aos membros do projecto OTCHIVA, que se propõe ultrapassar tais cifras.

31 mil e 236 mangues plantados num dia

Para tal, vários apelos e anúncios têm sido feitos nas redes sociais e meios de comunicação para adesão de voluntários, no sentido de se juntarem ao desafio. Fruto disso, no Sábado passado apareceram no local escolhido da província de Luanda várias instituições públicas e privadas, bem como entidades singulares que se fizeram acompanhar de um ou mais amigos. A coordenação do programa registou mais de 200 pessoas voluntarias, entre ONG e entidades privadas, e foi possível plantar 31 mil e 236 mangues, batendo o record de plantações num único dia, ultrapassando o México.

Este projecto surgiu por iniciativa da cidadã Fernanda Renée, que, ao ver que os mangais da sua cidade, Lobito, estavam destratados, sendo sufocados por plantações, lixo e entulho decidiu “arregaçar as magas e salvá- los”, de acordo com Osvaldo de Jesus. Fruto desse trabalho aturado, os flamingos que procuravam um novo habitat fora da cidade e do país, estão de regresso. Fernanda Renée começou a trabalhar no tratamento e requalificação a nível de sua cidade e em Luanda, na zona do Benfica. De seguida os jovens ambientalistas abraçaram a causa e juntaram- se para juntos desenvolverem o projecto a nível nacional. “O objectivo do projecto é trabalhar em toda a zona costeira do país, fazendo requalificação e reflorestação dos mangais”, declarou Osvaldo de Jesus. Porém, o caminho tem sido espinhoso.

Na campanha do Sábado passado, a organização teve de lidar com constrangimentos de ordem logística. O volume de adesão surpreendeu a coordenação do projecto, considerando que ainda não contam com apoio de instituições para custear as despesas das actividades desenvolvidas. Apesar de tais obstáculos, os membros do projecto trabalham para realizar outra actividade do género, em simultâneo nas províncias onde se encontram, no sentido de alcançar o record nacional. Osvaldo de Jesus esclareceu que essa medida se deve ao facto de o grande empecilho dos mangais serem os entulhos, a transformação do seu habitat em depósitos de lixo, de águas residuais, de óleos e de combustíveis e ainda de desmatamento desenfreado.

Disse que tal acontece por falta de educação ambiental, ou seja, as pessoas que realizam desmatamento necessitam de ser instruídas, considerando que o fazem porque precisam de fazer lenha ou de espaço para construir habitações no litoral, correndo o risco de serem invadidas pelas águas do mar. Para evitar tais situações, a coordenação do projecto OTCHIVA, para além de instalar o programa a nível nacional almeja criar uma política de protecção de mangais no país, elaborar um dossier sobre os mangais e uma literatura sobre as plantas em banda desenhada e lançar um programa de educação ambiental sobre a importância dos mangais. Osvaldo de Jesus apela à sociedade em geral, a abraçar a causa.

Declarou que as actividades são desenvolvidas em função da disponibilidade das pessoas, anteriormente acções eram realizadas todos os Sábados, actualmente são efectuadas quinzenalmente. É possível encontrar os membros do projecto OTCHIVA nas redes sociais. De realçar que OTCHIVA significa lago, lagoa ou zona húmida, local onde são desenvolvidos os trabalhos. Mangues são as plantas, consideradas o berçário dos seres vivos que habitam no mar e surgem em ambiente tropical e semi-tropical, na foz dos rios, onde normalmente existe o ecossistema de mangais, permitindo, assim, a diversidade marinha na região em causa.

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