Um pouco mais além

discussão do momento, na classe, é sobre os salários dos jornalistas e as condições de trabalho. As palavras de Francisco Mendes, o PCA da TPA, dirigidas ao Presidente João Lourenço, carregadas de signifi cado, razão e verdade, acabaram por fazer soltar palavras dos profi ssionais. Sim, os jornalistas angolanos são mal pagos e pouco respeitados. Do outro lado há descerebrados que dizem ser por culpa própria, mas estes nem resposta merecem, usemos o tempo com outras coisas e outras pessoas. Porém, há uma outra parte do assunto que não está a ser devidamente discutida em Angola, talvez até relacionada. Falo da importância do papel do jornalismo para a consolidação da democracia e para o equilíbrio até dos negócios. O mundo move-se ao ritmo da informação, mas é necessário que alguém trate desta informação e a disponibilize. Em Angola, voltando aos descerebrados, há quem acredite que o jornalismo é dispensável, não têm noção da vida, do mundo. Aliás, no resto do mundo corre uma discussão sobre a sobrevivência e adaptação do jornalismo aos novos tempos. E há um ponto de partida consensual: “o jornalismo é, e continuará a ser, indispensável nas sociedades modernas e democráticas”. A discussão envolve académicos, jornalistas, leitores, ou consumidores, publicitários, anunciantes, empresários e políticos, ao nível de presidentes da República inclusive. Aqui não, estranhamente. E mais estranho ainda quando estamos a ver morrer o jornalismo em Angola, com jornais a fechar, com a circulação de jornais que não são jornais e que ajudam a matar o jornalismo, com o aumento do número de emissoras de rádio e de televisão mas que não fazem jornalismo. Com uma fatia enorme da população que não tem acesso a noticiários diversos, às vezes a nenhum, ou aos produtos jornalísticos. E canta-se democracia. Que máscara, senhores!

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