Afastamento de Raul Danda e de Rafael Massanga levanta interrogações na UNITA

Adalberto Costa Júnior, o novo líder da UNITA, eleito no último congresso ordinário, já começou a trabalhar no Sábado, tendo presidido a primeira reunião do Comité Permanente (CP)

Por:Ireneu Mujoco

Contrariamente às projeccões avançadas por analistas políticos da própria UNITA em relação à composição da nova direcção, a novidade é o afastamento de Raul Danda da vice-presidência do partido e de Rafael Massanga Savimbi do cargo de secretário-geral adjunto. Apesar de ser soberano na escolha do seu elenco, com base nos estatutos do partido que desde Sábado começou a dirigir, o novo líder do “galo negro”, contra todas as expectativas, surpreendeu os seus correligionários.

Segundo fontes familiarizadas com o assunto, o afastamento de Danda não estava nas provisões de algumas figuras de proa da própria UNITA que apoiaram a campanha de Adalbero Costa Júnior. As mesmas fontes argumentam que a substituição de Raul Danda por Simão Dembo, filho varão do antigo vice-presidente da UNITA, António Dembo, falecido em 2002, em Lumbala Nguimbo (Moxico) na fase derradeira do conflito armado, está a ser questionada nos bastidores, tendo em conta o seu peso político.

Outra baixa de vulto, fazendo fé nas declarações das nossas fontes, é a substituição de Rafael Savimbi, filho do ex-líder da UNITA, Jonas Savimbi, o único entre os mais de 30 filhos que aspirava uma ascensão política na organização fundada pelo seu progenitor. O cargo de secretário-geral adjunto tinha sido uma escolha do anterior presidente, Isaías Samakuva, mas que terá exercido com brio, segundo ainda as nossas fontes.

Ruptura

A não indicação de um dos filhos de Jonas Savimbi para qualquer cargo de direcção no elenco do novo líder, de acordo ainda com as fontes, está a ser interpretada nos corredores da própria UNITA como uma estratégia que visa promover figuras fora do círculo do clã do Bié, terra natal do líder fundador. Mas há quem diga, entre os membros do partido do “galo negro”, haver represálias em relação à família Savimbi, quando em plena campanha um dos filhos opôs-se à eleição de Adalberto Costa Júnior advogando uma questão “híbrida”. Esta expressão não terá caído bem ao novo líder da UNITA e a sua “staff” de campanha, apesar de não transpirar nada publicamente. Outra interrogação que se levanta é o facto de não congregar nenhum dos outros concorrentes, como Camalata Numa, Raul Danda, José Pedro Katchiungo e Alcides Sakala, apesar do discurso do líder cessante na abertura do conclave defender a escolha de um presidente congregador.

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