Dom Luzizila Kiala: saída da crise passa pela valorização dos angolanos

O bispo da diocese do Sumbe, Dom Luzizila Kiala, afirmou que a situação económica que o país enfrenta resulta das escolhas mal feitas no passado, pelo que defende a urgente valorização dos quadros nacionais, independentemente da sua cor partidária

Por:Domingos Bento, enviado a Quibala

Em entrevista a OPAÍS, disse não haver dúvidas de que, durante algum tempo, o país caminhou mal com a indicação de pessoas menos capazes para cargos de elevada responsabilidade, tudo por fazerem parte de “uma só cor partidária”. O resultado dessa escolha, frisou, é a situação económica que o país actualmente enfrenta, com o desemprego, a fome, a pobreza e as dificuldades sociais a arrasarem a vida da maioria dos angolanos, sobretudo os jovens, que estão atirados ao desemprego. “As pessoas, os seus feitos e a sua capacidade de contribuir para o bem comum, são muito mais importantes que um mero cartão de militante ou qualquer outro interesse que não tenha como foco o benefício geral”, alertou.

Valorização de quadros

Para a saída dessa situação, Luzizila Kiala defende a unidade e a valorização de todos os angolanos, independentemente da sua cor partidária, proveniência ou cor da pele. O prelado, que falava ao OPAÍS no município da Quibala, à margem do acto central do Dia da Independência Nacional, assinalado a 11 de Novembro, apontou a necessidade de os angolanos “estarem juntos, unidos e firmes numa única direção como sendo a única via para a saída da crise”.

Segundo o mais alto representante da Igreja de Roma na província do Cuanza-Sul, a par de outras medidas já em acção, a boa governação passa igualmente pela valorização do potencial de cada um, dentro da sua área de actuação. Nesse processo, o líder religioso disse ser importante que cada um faça o seu trabalho de “forma isenta, justa e sem pressão de forças de bloqueio” ou a chamada “ordem superior”, que, segundo o entrevistado, contribuiu para que o país mergulhasse nesta crise. “Todos devem trabalhar com liberdade e sem medo de receberem recados ou ralhetes por estarem a fazer o bem”, advogou.

Corrupção deve ser um combate de todos e com todos

 Dom Luzizila Kiala disse ainda que o combate à corrupção, que constitui uma das grandes lutas do actual Executivo, deve centra- se nos actos e não nas pessoas, sob pena de se passar uma ideia à sociedade de se tratar de um processo selectivo. De acordo com o religioso, só com um combate contra a corrupção transparente, extensivo e dinâmico será possível recuperar os activos que o Estado perdeu ao longo de anos, em consequência de uma governação que disse não ter servido os interesses da nação. “O combate deve ser generalizado e actuar junto de todos aqueles que desviam o bem como, independentemente de se tratar de um ministro, governador, administrador ou director”, apontou. Defendeu que todos devem ser escrutinados pela justiça, de modo a se ter uma gestão mais parcimoniosa do bem público.

Sociedade civil deve exigir mais

Dom Luzizila Kiala defendeu ainda a necessidade de a sociedade civil continuar a fazer o seu trabalho e ajudar os governantes, dentro da sua área de actuação, a identificarem as áreas de maior fragilidade para a devida canalização dos recursos. Segundo o prelado, no actual contexto, em que Angola carece de meios para todos os seus filhos, é necessário que a sociedade civil contribua com ideias e propostas que possam ajudar e contribuir para uma governação transparente e de proximidade. “O país precisa de todos. E devemos nos unir para encontrarmos pontos convergentes que possam ajudar-nos a sair do actual cenário. Não podemos continuar assim. Até crianças a morrerem de fome, jovens sem emprego, comunidades sem escolas e hospitais. Temos de nos desfazer destes males”, noto

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