Exposição individual de Suekí fecha ciclo na Galeria ELA em Luanda

Além desta colecção, o jovem artista proporciona uma instalação, propondo ao público uma ’performance’ artística inédita

Por:Augusto Nunes

Com a curadoria de Dominick A Maia Tanner, Suekí exibe, pela primeira vez, na Galeria ELA – Espaço Luanda, a colecção individual “Xibata Ja Augusto Nunes Mundu: As Escadas do Mundo, Uns Sobem, Outros As Descem” ou “As Escadas do Mundo”. A mostra, cuja preparação durou mais de 8 meses, junta mais de 12 quadros, mais de metade dos quais foram criados em Residência Artística durante as últimas quatro semanas, e ficará patente ao público até 29 de Janeiro de 2020.

Além desta colecção, o artista proporciona uma instalação, propondo ao público uma ’performance’ artística inédita. Suekí realça que, do provérbio em Kimbundo “Ya Ajibanda, Ya Ajikulumuka”, que em português quer dizer “as escadas do mundo, uns sobem, outros descem”, este é o ponto de partida para uma mostra que reúne diferentes suportes artísticos: fotografia, pintura, colagens e instalações, privilegiando materiais de uso quotidiano para uma reflexão crítica sobre as diferenças sociais com foco na terra natal do artista, Angola.

Um registo que propõe uma reflexão crítica sobre as distâncias que nos separam dos outros indivíduos da mesma sociedade, todos filhos do desejo de um dia nação se tornarem. Revelando visual e conceptualmente as várias fases, actores e factores, muitos de origem externa e fora do controlo de quem os vivencia e altamente determinantes para uma escalada de sucesso.” Chama a atenção do público nesta exposição, a estreia a solo absoluta deste jovem artista.

Em termos de narrativa: “Xibata Ja Mundu” põe em evidência as turbulências flagrantes de uma sociedade ainda com muitas feridas por cicatrizar, resistindo e, ao mesmo tempo, indo contra aquela que é quase a normalização/aceitação de uma condição precária crónica. Uma doença que nos destrói lentamente e impede-nos de avançar a passos seguros e decisivos rumo a níveis mais elevados de desenvolvimento social e humano insistentemente contrariando a máxima popular de que estamos sempre a subir.” Recorde-se que o artista guineense, Nú Barreto, radicado em Paris, de passagem por Luanda durante dois meses para fazer parte da residência artística Angola AIR, assina o texto que acompanha esta exposição a solo.

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