Laborinho coloca Polícia em pedonais para combater sinistralidade rodoviária

A partir de hoje, em cada pedonal das estradas haverá efectivos da Polícia Nacional, segundo garantias dadas pelo ministro do Interior, Eugénio Laborinho, tendo revelado que os números sobre acidentes são assustadores. Centenas de cidadãos de diversas franjas da sociedade marcharam ontem em homenagem às vítimas nas estradas

Texto de Milton Manaça
fotos de Pedro Nicodemos

Segundo o governante, não se justifica a morte de um cidadão debaixo de uma pedonal e é necessário educar as pessoas a usar as pedonais, informando-as sobre as consequências da sua não utilização. Eugênio Laborinho falava no acto central do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada e disse que iria colocar efectivos nas pedonais, trabalho árduo e paciente, mas que é necessário para evitar que mais pessoas morram por negligência, tendo frisado que no caso de Luanda existem várias delas colocadas nos locais de maior concentração populacional, mas que não são usadas.

Luanda continua a ser a província que mais faz vítimas de estradas e, faltando cerca de um mês e meio para terminar o ano de 2019, as estatísticas apontam para 477 mortos, correspondendo a 18% do total de acidentes de aviação, segundo o titular da pasta do Interior. A Huíla aparece em segundo lugar com 135 mortos e mais 700 feridos, correspondendo a 10% do total de acidentes fatais. Em terceiro lugar está a província do Huambo com um total de 120 mortos contabilizados. “O ano ainda não acabou, mas os números de acidentes são assustadores, sobretudo nesta fase, próxima da quadra festiva, em que se registam mais casos de excesso de velocidade”, frisou.

Bafómetro (alcoolímetro) com mais intensidade

Eugénio Laborinho garantiu que Laborinho coloca Polícia em para combater sinistralidade A partir de hoje, em cada pedonal das estradas haverá efectivos da Polícia Nacional, segundo garantias dadas pelo ministro do Interior, Eugénio Laborinho, tendo revelado que os números sobre acidentes são assustadores. Centenas de cidadãos de diversas franjas da sociedade marcharam ontem em homenagem às vítimas nas estradas o número de acidentes envolvendo o consumo de álcool vai registar uma redução nos próximos dias, afirmando que a Polícia vai retomar em breve o uso de bafómetro nas suas operações com maior intensidade. Laborinho lembrou que apenas está à espera da aprovação do novo Código Penal para responsabilizar criminalmente todos quantos conduzam sob efeito do álcool.

Quem se mostrou agradado com a colocação de agentes da Polícia nas pedonais é o presidente da Associação de Guias Turísticos de Angola (AGUITA), Paciência Samuel, considerando que esta medida vai contribuir para a diminuição dos índices da sinistralidade no país. Samuel reconheceu que parte da sinistralidade está relacionada com incumprimento das regras de trânsito tanto de condutores como de peões e a medida anunciada pelo ministro do Interior vai ajudar a inverter o quadro. Já o representante do presidente do Moto Clube do Capim, Marcelino Lumbo, disse que a marcha é importante para chamar à atenção da sociedade os índices preocupantes da sinistralidade rodoviária no país.

Marcelino Lumbo reconhece que parte dos acidentes têm como protagonistas os vulgos motoqueiros, acrescentando que o combate à sinistralidade rodoviária não é apenas tarefa do Governo. Hiko, como também é conhecido nas lides dos homens aventureiros, disse que antes de se constituírem como grupo, há quatro anos, os seus integrantes estavam envolvidos em vários acidentes, situação que viria a mudar nos últimos dias. Para Alexandre, secretário-ge- Texto de Milton Manaça fotos de Pedro Nicodemos ral da Associação Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA), a marcha representa o cimentar dos verdadeiros valores no que diz respeito a sinistralidade rodoviária e à moralização do profissional do volante.

Sobre a efeméride

O Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada é celebrado anualmente no terceiro Domingo do mês de Novembro. O espírito desta celebração é de que a evocação pública da memória daqueles que perderam a vida ou a saúde nas estradas significa um reconhecimento por parte do Estado e da sociedade da trágica dimensão da sinistralidade e ajuda os sobreviventes a conviver com o trauma de memórias dolorosas resultantes de acidentes rodoviários. Em Outubro de 2005, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução conclamando todos os países para que estabelecessem o terceiro Domingo do mês de Novembro de cada ano como o dia dedicado à Memória das Vítimas da Estrada. Em Angola, a sinistralidade rodoviária continua a ser a segunda maior causa de morte a seguir a malária.

error: Content is protected !!