Nova fábrica produz duas mil toneladas/dia de farinha de trigo

O projecto vai gerar quase mil empregos em Benguela e neste momento mais de 500 postos de trabalho estão criados, especialmente ocupados por jovens recrutados em universidades nacionais

Trata-se de uma unidade fabril com capacidade instalada de transformar duas mil toneladas de trigo em farinha por dia, tendo em vista a produção de pão, massas alimentícias e biscoitos. A sua inauguração está prevista para o próximo dia 29 do mês em curso, mas o arranque aconteceu na última semana nos arredores da cidade das “acácias rubras”, concretamente, no parque industrial do grupo Leonor Carrinho e Filhos Lda. A fábrica, integrada por duas moagens de trigo, surge particularmente num momento em que a empresa descarrega 34 mil toneladas de trigo a granel exportadas através do navio Kavkaz-I de bandeira russa, de 185.6 metros de comprimento e 11.7 de largura, que atracou Quinta-feira no Porto do Lobito.

Falando à imprensa, o administrador executivo para as Finanças do grupo Leonor Carrinho, Samuel Candundo, garante estarem prontas as moagens de trigo para a produção da farinha, tendo em conta a demanda do mercado nacional e ainda o abastecimento da sua própria cadeia de produção. Segundo o executivo, o facto de a unidade começar a produzir farinha de trigo nas suas moagens indica que haverá demanda da produção do trigo no país, à semelhança do que já acontece com o milho e o açúcar. “Subimos a nossa agregação de valores acima de 60 a 70 porcento”, disse Candundo. Relativamente às 34 mil toneladas de trigo encomendadas, o gestor prevê que esta quantidade dure apenas pouco menos de 30 dias, na medida em que a produção tem em média um consumo de 1.300 toneladas por dia.

Desde 2012, quando a empresa saiu do seu “core business”, o catering (distribuição de alimentação), também iniciou a aposta na transformação industrial na zona da Taka, no município de Benguela, através de um parque industrial que concentra 14 fábricas destinadas à transformação de 18 produtos diferentes, entre eles a farinha, óleo alimentar de soja, de palma e de girassol, massas alimentícias, arroz embalado, massa de tomate, biscoitos, margarina, sabão, leite condensado, vinagre, maioneses e ketchup. Porém, Samuel Candundo destacou a presença hoje no mercado da massa alimentícia da marca “Tio Lucas”, embalada no parque industrial da empresa, como exemplo do modelo de diversificação que a Leonor Carrinho segue e que, a seu ver, agrega valor à produção nacional.

“Na empresa, 100 porcento do produto que vendemos é feito em Angola”, anota. Com isso, a empresa entrou neste momento no seu segundo plano estratégico, numa visão de “integração invertida” e pretende que o trigo e o milho, como matériaprima, sejam produzidos no país, num futuro muito curto, para reduzir custos com as importações, como explica. Aos industriais do país, Samuel lança o repto para que façam projectos concretos e realistas, visto o processo industrial ser complexo. Levando a água ao seu moínho, o administrador financeiro da Leonor Carrinho diz estar em curso estudos, envolvendo especialistas do sector da agricultura, que vão ajudar a perceber e ver quais as localidades onde determinadas sementes e culturas se dão bem.

No que às capacidades instaladas no parque industrial diz respeito, a fonte recusou-se a avançar números, considerando que estas informações estão reservadas para o acto de inauguração do empreendimento, previsto para o dia 29 deste mês. “A expectativa da empresa é de que os angolanos verão que merecem muito mais do que aquilo que estavam a receber”, exprimiu. Apesar da capacidade existente, o responsável admite que ainda não chega para cobrir todo o mercado. “Angola de hoje já não é de 21 milhões de habitantes, como antes, mas sim de 30 milhões aproximadamente”, observa. E defende o surgimento de outras fábricas como esta para atender às necessidades alimentares das famílias angolanas que tanto dependem destes produtos. A empresa já prepara o lançamento, nos próximos dias, de um segundo plano virado para a região Norte do país e que, para o administrador executivo da Leonor Carrinho, vai aumentar ainda mais a capacidade no sentido de dinamizar a produção nacional

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