O desafio

Adalberto Costa Júnior, o novo presidente da UNITA, é, de facto, um desafio importante para o MPLA, que governa o país. Pelo perfil, pelo percurso, por não ter tido um papel militar activo na guerra, por ter um discurso cativante, por trazer uma lufada de cidade que inova a UNITA, por representar uma mudança geracional no Galo Negro, por assumir o partido num momento especial de crise económica e financeira profunda no país e também num momento em que os dirigentes do MPLA não escondem que vivem tensões internas importantes. Os discursos do seu presidente assim indicam. Mas isto não é tudo. O desafio maior para o MPLA é o de lidar com o desgaste, o de conseguir relançar- se, reinventar-se, por uma questão meramente temporal. Cinquenta anos de poder é um ciclo difícil de fechar e mais difícil ainda de renovar (em 2025, se o MPLA voltar a ganhar em 2022). Tudo mudou: a estrutura mental das pessoas, o mundo, a tecnologia, as gerações, o entendimento político, as ligações afectivas partidárias com que muitos angolanos nasceram. Mas não é impossível, tal como para a UNITA podem representar cinquenta anos de Oposicção e estar agora claramente revigorada, pelo menos na sua imagem pública, que está cada vez mais a “matar” o monstro que representava. A marca está nos cinquenta, que se pode começar a contar desde já, olhando para os partidos e verificando a solidez da massa que lhes dá coesão e ânimo. É aí que deve estar focado olhar dos observadores também, na estrutura de um partido longevo na governação, com tudo o que de mal e de bom pode representar todo este tempo, indo até aos vícios, miopia e autismo próprios do poder longo, e também à experiência, capacidade de penetração e mobilização social, firmeza ideológica e política e diálogo com o eleitorado, etc. E para a Oposição, o que a alimenta e renova sem ter o poder? São questões para se pensar.

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