Penitenciário da Damba de Malanje vai aumentar a produção agrícola

Com o propósito de alcançar a auto-suficiência alimentar nas cadeias por via da produção agrícola, o Serviço Penitenciário anunciou o enquadramento de mais reclusos no sistema do trabalho sócio-produtivo, no acto do lançamento, nesta Sextafeira (15), da Campanha Agrícola 2019/2020, no Centro Prisional da Damba

Por:Miguel José, em Malanje

Na ocasião, o delegado do Ministério do Interior (MININT) em Malanje, comissário António José Bernardo, disse que o objectivo da campanha é inserir um maior número de reclusos no processo produtivo para alcançar a auto-suficiência alimentar do sistema penitenciário, assim como dotá-los de capacidades e de competências para se reinserirem na sociedade após a soltura.

O representante do MININT expôs que o propósito de aumentar a produção agrícola visa responder ao chamamento do Executivo de forma a contribuir para a auto-sustentação, criar capacidade alimentar nacional e sair das dificuldades sociais, pelo menos no âmbito penitenciário, para ajudar a desafogar os problemas cambiais que o Governo enfrenta, no sentido de dar de comer aos cidadãos. “Por isso, tivemos que fazer algumas reformas rápidas no campo, tomar algumas decisões que visarão fazer com que durante todo o ano agrícola possamos aproveitar melhor os solos e produzir o suficiente para dar de comer aos reclusos, aos oficiais e aos agentes penitenciários”, sublinhou.

Aumento de produção

António Bernardo instou apoio em meios técnicos ao Governo local e às supra-estruturas ministeriais do Ministério do Interior e da Agricultura e Florestas, para permitir uma produção intensiva no Centro Penal da Damba, em proveito da área agrícula de 9 mil hectares, postos à sua disposição. O responsável garantiu usar de forma racional os equipamentos, adubos, fertilizantes e sementes concedidos, recentemente, pelo Ministério da Agricultura e Florestas (MINAF) e com isso duplicar a produção em relação ao ano passado. Disse que, desde que estejam reunidas condições técnicas, ainda este ano tenciona dobrar a mão-de-obra no campo de produção agrícola, com a inserção de 200 reclusos, assim como a possibilidade de instalar duas estufas, na perspectiva de manter produção continuada e intensiva.

Unir a vontades

A união da vontade política e a da determinação de querer fazer, ambas constituem uma forma de vencer a batalha contra a fome, afirmou o governador da província de Malanje, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, quando se pronunciava por ocasião do lançamento da referida actividade. O governador sustentou que o Estabelecimento Penitenciário da Damba tem capacidade humana que pode ser transformada num campo de produção agropecuário e, se calhar, agro-industrial, que consiga agregar valias na transformação dos produtos, para garantir a qualidade da dieta da sua população penal e os excedentes serem encaminhados para outros mercados.

O planalto de Malanje, com chuvas regulares durante o ano, associado a terras aráveis e a variedade de culturas agrícolas, levaram “Kwata Kanawa” a estimar que são factores benéficos ao cultivo de cereais, tubérculos e hortícolas para a diversificação da cadeia produtiva, o melhoramento da dieta alimentar dos reclusos, bem como a obtenção de rendimentos para a sua autosustentação. Acrescentou que os 9 mil hectares de terras aráveis podem ser aproveitados para produzir o suficiente para o consumo interno e escoamento no mercado nacional, o fomento da agro-indústria e, quiçá, responder à intenção de o Governo reduzir a importação de produtos que constituem a dieta alimentar dos presidiários.

Entretanto, para a referida campanha agrícola, estão preparadas mais de 300 hectares para o plantio de culturas diversas, com destaque a frutícolas, hortícolas, milho, mandioca, batata rena e doce e, pela primeira vez, o café. No final, para simbolizar o acto, foram plantados bananas, milho, e lançadas sementes de feijão. Situado na comuna de Katala, município de Mucari, a ex-colónia penal da Damba existe desde a década de 1940, com capacidade instalada, efectiva, para albergar 1216 presidiários. Funciona em regime aberto, semi-aberto e fechado.

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