Chilala Moco retrata relação entre rosto e alma em exposição fotográfica

A mostra intitulada “Ocipala Cutima”, em umbundu, que em português significa “Rosto da Alma”, estará patente no Memorial Dr. António Agostinho Neto, a partir desta Quinta-feira, 21, até de Dezembro

Adjelson Coimbra

O fotojornalista Chilala Moco inaugura esta Quinta-feira, na Galeria do Memorial António Agostinho Neto, a exposição fotográfica “Ocipala Cutima”, termo em umbundu que traduzido em português significa “Rosto da Alma”. A mostra, que estará patente até ao próximo mês de Dezembro, é constituída por 40 retratos, um dos quais apresentado pelo fotógrafo, na Hungria, em Agosto deste ano, numa exposição internacional cujo tema foi a “Igualdade de Género”. A exposição, segundo Chilala Moco, retrata a relação entre o rosto e a alma. “Dizemos que quem vê cara não vê coração. Existe essa relação antiga entre o que aparenta ser e aquilo que no fundo é. Sempre interessei-me por essa dualidade que existe no ser. Aquilo que ele representa fisicamente e aquilo que ele é por dentro”, disse. Questionado quanto aos critérios de selecção de rostos, Moco, disse que levou em atenção pessoas que tivessem uma expressão forte e levassem o observador a viajar nas suas profundezas, bem como pessoas bastante peculiares e de diferentes extractos sociais.

“Ocipala Cutima” destaca-se dos demais trabalhos

Chilala Moco já participou e realizou outros trabalhos e, segundo ele, a presente exposição destaca- se por ser mais direccionada. Moco salientou que este trabalho é mais concrecto e assemelha-se ao seu primeiro individual, onde retratou a vida nas centralidades como um fenómeno novo na vida social de Angola e, como objecto de trabalho, escolheu o Kilamba, por ser a centralidade que mais reúne estratos sociais diferentes. “Desta vez o tema tem a ver com retratos, foi um trabalho de recolha que fui fazendo a longo tempo, de pesquisa de pessoas, observando- as, pedindo a elas que fizessem parte desse projecto”, descreveu.

Perfil

Chilala Carlos Moco nasceu na Caála, província do Huambo, em 1977. Estudou Relações Internacionais no ISCSP (Instituto de Ciências Sociais e Políticas), em Lisboa, onde posteriormente se formou em fotografia na ETIC (Escola Técnica de Imagem e Comunicação). Ainda em Portugal, fez parte da equipa que produziu e realizou o projecto “TV Mundo Melhor”, da primeira edição do Rock In Rio Lisboa (2004). Nesse mesmo ano, publicou a sua primeira série de fotografias na Revista CAIS – Círculo de Apoio à Integração dos Sem-tecto. Já em Luanda, e como “freelancer”, colaborou em quase todas as publicações de renome que surgiram desde 2005.

Expos nas duas primeiras Trienal de Luanda, 2006 e 2010, respectivamente. Em 2009, ganhou o Prémio Nacional de Jornalismo, na categoria Fotojornalismo do Ministério da Comunicação Social da República de Angola, tendo sido várias vezes nomeado para o Prémio Maboque de Jornalismo, na mesma categoria, nos anos seguintes. Foi jurado do prémio “BESA Foto” 2009, uma parceria entre a “World Press Photo” e depois o Banco BESA. Entre um grupo de proeminentes artistas angolanos, foi convidado pela Fundação Sindika Dokolo para expor na Bienal de Bordeaux, França (Bordeaux Evento 2009). Em 2017, participou nas exposições colectivas “A Representação da Figura Humana na Arte em Angola”, na Galeria do Banco Económico, e “Vidrul Fotografía – 2017 – Mais Angola”, respectivamente. Também em Setembro do mesmo ano, expôs individualmente no Xyami Kilamba o seu conjunto de trabalhos intitulado “Kilamba Generation”.

 

 

 

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