A pele de Toni no fogo no fogo australiano

Cerca de 1,6 milhões de hectares queimados, seis pessoas mortas pelo fogo e seiscentas casas queimadas. São notícias que vêm da Austrália. Sidney, a capital, com quatro milhões e meio de pessoas, está coberta por uma nuvem de fumo desde Terça-feira. E nisto tudo entra em cena um pequeno animal, um coala.

O coala é um mamífero marsupial da família Phascolarctidae endémico da Austrália. Estes marsupiais encontram- se em vias de extinção desde o início da colonização inglesa da Austrália, quando surgiu o hábito de matá- los para usar a sua pele. Na Terça-feira, uma mulher australiana, Toni, arriscou a sua própria pele para salvar a vida de um coala, num gesto que correu mundo pelas televisões jornais e tudo quanto é rede social.

Ela viu o animal cercado pelo fogo, parou o carro, tirou a sua roupa, resgatou o pequeno coala, ferido e com queimaduras, cobriu-o com a própria roupa e tratou de o molhar de imediato com a água que trazia no carro. Não sei se ela pensou nos trezentos coalas já encontrados mortos queimados na floresta, se pensou que se trata de uma espécie em extinção, se pensou apenas que se tratava de uma vida que se iria perder ante os seus olhos e não pôde deixar-se ficar, indiferente.

Sei que as condições são diferentes, mas talvez fosse bom pensar-se nisso por cá também, onde intelectuais defendem os fogos florestais como tradição para a caça, secundarizando todo o estrago no universo que é uma floresta. Bem, o coala que agora é famoso ainda não tem nome, mas certamente que voltaremos a ouvir falar dele.

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