Mais de seis mil crianças fora do ensino na Quilenda

seis mil e 80 crianças em idade escolar residentes no município na Quilenda, província do CuanzaSul, ficaram fora do sistema no presente ano lectivo por falta de escolas e professores, revelou, a OPAÍS, o director municipal da Educação, Cahombo toneca Júlio

O gestor público esclareceu que para este constrangimento um dos factores principais tem sido a falta de salas de aulas, sendo que o município tem 42 escolas, entre as quais 39 do ensino primário e três do primeiro e segundo ciclo. “A nível da sede temos algumas escolas do ensino primário, mas nas zonas mais distantes há poucas escolas. Isso é um dos factores que fazem com que haja carência de professores e o consequente número de crianças fora do ensino”, disse.

Apesar disso, Cahombo Júlio garantiu que o actual momento é de franco crescimento, pela quantidade de docentes que foram enquadrados nesta localidade no último concurso público, tendo registado um aumento de 520 professores para 726. “Pensamos que está minimizada a carência de professores, porém, precisamos ainda de 250 professores e de construir mais de 30 escolas para termos este problema minimamente resolvido”, frisou.

Situação que pode ser ultrapassada com a execução do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), no qual preveem construir quatro escolas de sete salas cada na sede municipal. O nosso interlocutor salientou que a sua área de jurisdição não tem registo de casos de professores que tenham desistido.

No entanto, depois de admitidos reclamam das condições que encontram no local, como falta de rede das operadoras de telefonia móvel, de energia eléctrica, de água potável, entre outros serviços básicos essenciais para a vida de qualquer ser humano.

Diante dessa situação, Cahombo Júlio diz que tem sensibilizado os seus colaboradores a aceitarem fazer tais sacrifícios, uma vez que são passageiros e tendem a ser ultrapassados aos poucos. “Não tínhamos estradas asfaltadas, agora já temos. Temos fé que a energia de Cambambe vai chegar e vamos evoluir dia após dia”, realçou. Uma outra situação que inquieta os professores daquela localidade, de acordo com o nosso interlocutor, tem a ver com a falta de residências para os professores.

Declarou que, nesse quesito, este sector não tem tido o mesmo tratamento que o da saúde, onde quando se projecta a construção de um hospital ou centro de saúde se tem sempre em conta a residência para o enfermeiro ou médico. “Constrói-se apenas escolas, sem se ter em conta a residência para professores.

O que tem sido uma dor de cabeça, porque os professores estão disponíveis a trabalhar distante dos seus locais de residência, todavia, por vezes, não têm sítio para se acomodar”, disse o responsável da Educação. A falta de merenda escolar é outro problema a ser vencido. Segundo o responsável da Educação, a merenda escolar faz com que os alunos permaneçam nas escolas e incentivaos a não desistirem.

No entanto, nem todas as crianças inseridas no sistema de ensino beneficiam desse alimento, pelo facto de as verbas a si destinadas serem insuficientes. Anualmente, a direcção da Educação selecciona somente algumas escolas a beneficiarem. “Se a merenda escolar chegasse a todas as escolas do ensino primário, julgo que o abandono escolar iria diminuir”, afirmou.

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