Rádio e telemóvel “escolhidos” para educação à distância

Por se ter constatado falta de algumas competências técnicas e pedagógicas em certos professores primários, o ensino à distância, por via de novas tecnologias, está a ser traçado como solução viável

Um grupo de formandos reunidos pelo Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação (INFQE), reunidos desde ontem, numa unidade hoteleira de Luanda, propôs a rádio e o telemóvel como meios tecnológicos adequados à realidade de Angola, para se efectivar a intenção de continuidade de formação de professores do ensino geral.

A proposta do conjunto, composto maioritariamente por directores e chefes de departamento do Ministério da Educação, directores de gabinetes provinciais, professores de magistérios, agentes do referido sector e parceiros sociais, aconteceu durante o referido dia da abertura do Seminário Internacional sobre Educação à Distância e Itinerante.

Justificando a sua opção, num universo de meios tecnológicos que contemplam, igualmente, televisão, SMS (mensagens), gravações diversas, os agentes do ensino em Angola alegaram que os escolhidos constituem os materiais tecnológicos mais usados pelos cidadãos e, teoricamente, mais baratos. Aliás, asseveraram que, apesar de o telefone ser considerado um meio caro, a maior parte dos professores possui sempre um, de uso pessoal, e, normalmente, com serviços de redes sociais disponíveis, ainda que de forma intermitente.

Importa referir que a opção dos funcionários do Ministério da Educação (MED) aconteceu durante a dissertação sobre experiências relevantes africanas de e-learning, educação à distância e itinerante feita pela professora Shafika Isaacs, em representação da universidade de Joanesburgo, África do Sul. Sobre isso, Maria Hermínia Brás, directora do programa de parcerias para o desenvolvimento da Fundação Calouste Gunlbiank (FCG), apelou para não se pensar que novas tecnológicas têm a ver apenas com fazer download e ter acesso à Internet. “Envolve muita coisa, como um SMS (mensagem), e, através disso, se pode transmitir muita informação.

Gravações e combinação de diferentes aplicações podem ajudar a desenvolver algumas dessas questões”, reforçou. Consciente de que o download tem custos consideráveis, Maria Brás disse que ter um telemóvel, como o popularmente conhecido por laranjinha, para programar o dia de trabalho, enquanto professor, pode transportar muitas experiências, que, por sinal, seriam expostas até ao fim da formação que termina no fim da tarde de hoje.

Os seminaristas sugerem que os mentores da acção de formação criem programas radiofónicos de formação e disponibilizem subsídios científicos, técnicos e pedagógicos afins, por via do watsapp e de outras aplicações das redes sociais.

Destacadas etapas do processo

Quando procedia à abertura do seminário em causa, o Secretário de Estado para o ensino pré-escolar e geral, Francisco Pacheco destacou as três etapas desse ciclo de formação, tendo adiantado que os objectivos estão bem delineados, com previsão de resultados consecutivos. “Nas etapas posteriores, além da já referida melhoria da formação de professores, esperase que a segunda etapa incida na realização de acções de formação presencial e à distância, sobre as estratégias de recuperação escolar de alunos fora do sistema de ensino, preferencialmente das classes de Iniciação, 1ª e 2ª do nível primário”, informou Francisco Pacheco.

O governante espera ainda que a terceira fase decorra em duas escolas de províncias que apresentem elevados défice de acesso escolar, designadamente nas classes já referenciadas, todas de frequência obrigatória, de acordo com a Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino. Profetizando um horizonte temporal em que coloca o ano de 2022 como ponto de chegada, o secretário de Estado mencionou-o como o período em que gostaria de ver sobretudo os técnicos das secções pedagógicas e os professores com as competências requeridas pelo ramo bemconseguidas.

O coordenador da Unidade Técnica de Formação de Quadros, Gildo Matias, lembrou que, para o Governo de Angola, a Educação foi sempre uma prioridade, com especial atenção para a qualificação do professor. “Olhamos com boa nota este projecto, porque procura tirar proveito de meios tecnológicos para qualificar os docentes”, realçou Gildo Matias, encorajando o MED a levar avante o referido programa de formação, apesar de reconhecer as dificuldades que o mesmo implica.

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