INFQE incentivado a remar contra corrente das TIC no ensino à distância

o secretário de Estado da Educação admitiu que a qualidade de ensino ainda não é a desejável. Por isso, o órgão reitor do ensino em Angola deve gizar políticas no sentido de abranger a qualificação dos professores

Apesar de ter reconhecido os constrangimentos que se registam no acesso às novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) e dos seus serviços, o secretário de Estado para o Ensino Pré-escolar e Geral, Francisco Pacheco, encorajou os dirigentes do Instituto Nacional de Formação de Quadros da Educação (INFQE) a efectivarem o projecto de implementação do ensino à distância, por via dos referidos meios contemporâneos.

Falando, ontem, na ocasião do encerramento do Seminário Internacional sobre Educação à Distância e Itinerante, evento cuja abertura ele próprio procedeu, no dia anterior, o dirigente admitiu ser um desafio que não deve contar única e simplesmente com a rádio e televisão, mas também com o telefone.

“Grande parte dos nossos professores possuem telefone. Poderão não ser só os que utilizam Internet, também os que usam o sistema off line, no qual vão gravando tudo o que for necessário, para que, no momento ideal, se possa desenvolver”, disse o secretário de Estado, para quem assegurar a educação no país deve ser com professores cada vez mais qualificados.

Francisco Pacheco chamou a atenção dos agentes da educação para olharem à extensividade geográfica de Angola e para o facto de muitos docentes estarem destacados a trabalhar nas zonas longínquas de certas províncias, tendo, em consequência disso, realçado a necessidade urgente de se olhar para estes instrutores.

“Porque se nós não olharmos para eles, acabaremos por pensar que, praticamente, eles estão condenados a viver nessas paragens do país”, observou o dirigente, salientando que muitos entre estes acabavam por parar aí apenas com a 9ª ou a 12ª classe concluídas.

Por essa razão, segundo adiantou o responsável, esses professores precisam de superar-se no capítulo da formação, cabendo ao Ministério da Educação (MED), através do INFQE, gizar essas políticas, no sentido de velar por eles. Recordando que, depois da colocação no quadro do pessoal do órgão que subentende o ensino, em Angola, a lei os obriga a ficar nessas áreas por cinco anos, sendo que, enquanto aí estiverem, e porque o Ministério da Educação não os pode perder, há a necessidade de se disponibilizar todo o material adequado, de maneira que esses docentes estejam em pé de igualdade com os colegas que trabalham nas zonas urbanas e suburbanas, no que à qualificação científica, técnica e pedagógica diz respeito.

Questionado sobre o horizonte temporal para se fazer constar essa política de formação no plano curricular, o secretário de Estado considerou que, dada a urgência e pelo facto de se estar já no fim do ano lectivo de 2019, o princípio do ano escolar 2020 é o tempo oportuno para se efectivar a implementação do ensino à distância.

Para tal, será necessário fazerse a discriminação da formação de outros técnicos de outras províncias, soube O PAÍS do seu interlocutor, garantindo que, tão logo isso aconteça, estariam em condições de começar com o referido projecto, beneficiando as pessoas que se ache necessário.

Aludiu que o programa começa com uma experiência piloto em três províncias, designadamente Luanda, Bengo e Cuanza-Norte, por sinal, os ciclos provinciais onde o projecto TEACH, referente à observação de aulas e apoio docente, já trabalhou e preparou o caminho, tendo diagnosticado possíveis lacunas.

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