Cesta básica ou nutrientes básicos?

Por:José Kaliengue 

Há uns meses largos, a Suíça retirou o café das suas reservas alimentares estratégicas. A razão é muito simples: não tem valor nutricional que o justifi que. Isto signifi ca que a lista está em permanente avaliação, não é fechada, podem entrar ou sair produtos, mas tudo visando uma boa nutrição das pessoas. Cá em Angola está defi nida uma lista chamada de cesta básica. Não sei bem quem a elaborou e muito menos os critérios usados. Também há uma lista de produtos agrícolas que devem ser produzidos localmente para reduzir, ou mesmo substituir as importações. Qual é o valor nutricional da fuba de bombô, por exemplo, alguém nos explicou alguma coisa sobre este assunto? A sua inclusão, tal como a fuba de milho e outros, baseou-se em estudos científi cos ou no facto de serem alimentos mais consumidos pelos angolanos, a dita dieta tradicional? Esta dieta tradicional garante boa nutrição? O exército de crianças malnutridas em Angola não é alimentado com funge e molho de tomate? São alimentos sufi cientemente ricos para uma boa nutrição infantil? Há que questionar, e se a lista da cesta básica, ou a da reserva alimentar estratégica, que dizem que vão criar mas que nunca acontece, tiver de incluir outros produtos de fora da “dieta tradicional”, que assim seja. Se se tiver de se mexer um pouco na tradição em nome de melhor nutrição e melhor desempenho humano do cidadão, que assim seja. Mas eu gostaria, sinceramente, que se levantasse o debate em torno da cesta básica. Corresponde ela, por certo, ao básico para uma boa nutrição e para o bom desenvolvimento, até intelectual, do ser humano?

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