Filipe Mukenga e Selda reafi rmam sintonia em palco

Apesar da disparidade de gerações, os músicos exibiram uma performance que mereceu aplausos por parte dos espectadores. Não é a primeira vez que partilham o mesmo palco, mas é a primeira vez que os dois cantam por muito tempo juntos

Por: Adjelson Coimbra

Filipe Mukenga e Selda mostraram sintonia vocal durante uma exibição, inserida na III temporada do concerto Duetos N’Avenida, na Casa 70, em Luanda, realizada no último Sábado, 23. Quando eram 20 horas, de pés descalços e trajada com vestido preto com riscas cinzas, que reluziam entre o lilás e rosa dos holofotes, para o tema escuro da plateia, Selda subia ao palco, acompanhada pelo “mestre” Filipe Mukenga, que vestia um fato social preto, que contrastava com o vermelho da gravata e chapéu.

Os músicos, para abrir o concerto, clamaram com “N’Vula” às vítimas da seca no Cunene e Mukenga aproveitou a ocasião e rendeu tributo à sua mãe. Aos amantes de roupa, Filipe Mukenga e Selda seguiram com “Balabina”, e depois “Athu Mu Njila Weza”, que signifi ca “Veio” e trouxe à memória de Selda “Aquela Rua” onde supostamente cresceu e assim encantava com “Humbi Humbi”. Está-se em Novembro, mas os artistas levaram ao palco o “Carnaval de Março”, embora não havendo foliões, distribuíram o “Fruto Maduro”.

Era Sábado, porém, como forma de agraciar o dia a seguir, entoaram “Tchalumingo”, com “Palavras Doces”. Unidos harmoniosamente pela música, o duo cantou “Renúncia”, de Selda, e Filipe Mukenga fi – cou sozinho em palco a lamentar a renúncia, com “Lemba”, “Yalta” e “BPN”. Por seu turno, apesar do “Dikixi”, Selda mostrou ser a “Morena de Cá” e, em uníssono com Mukenga, fez a plateia se levantar para timbrar “Angola no Coração”. Mesmo estando em crise, Angola não pára e, por isso, os artistas descreviam em métricas a “Kianda Ki Anda”, onde o amado de “Ndilokewa”, Filipe Mukenga, vive. Para encerrar, cantaram “Eu Vi Luanda”.

Duo destaca qualidade um do outro

Com este concerto, Selda conta que descobriu as histórias da música de Filipe Mukenga e percebeu melhor o sentimento que as letras transmitem, o que tornou tudo mais emocionante para si. “Para mim, não é somente um prazer, mas um privilégio cantar com um nome da categoria do Filipe Mukenga, com quem já dividi o palco algumas vezes, mas não com a intensidade de um Duetos N’Avenida. Estar com ele num projecto deste nível é um grande aprendizado”, acrescentou. Entretanto, Filipe Mukenga comentou a qualidade da voz de Selda e o bom clima de trabalho.

“Eu já sabia do seu talento, mas estou muito surpreendido e além disso, está a ser uma óptima experiência trabalhar com tantos jovens num clima de ensaios com muitas cumplicidade e respeito”, disse. Vale frisar que Mukenga esteve no Serenata à Kianda, projecto da Zona Jovem Produções, que também assina a realização do Duetos N’Avenida.

Homenagem

O evento rendeu tributo ao músico, compositor e produtor José Ambrósio Eduardo Sambo, este que nasceu numa família de músicos. Desde cedo manifestou afinidade pela música. Aos 13 anos, começou a tocar profissionalmente teclados no conjunto musical “A Nave”, formado pelos irmãos e amigos,.o O conjunto tocava principalmente músicas com um pendor de Jazz, Rock e Pop. Durante a sua juventude acompanhou artistas como Filipe Zau e integrou-se em diversas bandas de renome. Em 1992, compôs e produziu o primeiro álbum “As Crianças Saúdam a Paz” da sua filha, Clélia Sambo. O que lhe conferiu o título de grande empreendedor musical. No ano de 1994, compôs e produziu igualmente o segundo álbum de Clélia Sambo, com o título “Vamos Dançar”

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