Tapete asfáltico “ressuscita” município da Quilenda

Os 30 quilómetros de estrada entre a Gabela e a Quilenda, no Cuanza-Sul, estão feitos, e os munícipes afirmam que a localidade ganhou vida com esta obra. Segundo os residentes, o município era considerado como “um bolso de trás” aos olhos dos governantes, completamente esquecido

Maria Teixeira enviada a Quilenda (Cuanza Sul)
fotos de Pedro Nicodemos

Com uma extensão territorial de dois mil e 430 quilómetros quadrados, o município da Quilenda tem mais de 100 mil habitantes, com o registo de maior fluxo nas zonas da periferia da sede municipal, Xariaia e Saca. O município, que faz parte dos 12 da província do Cuanza-Sul, é limitado a Norte pelo município da Quiçama, a Este pelos municípios de Quibala e do Ebo, a Sul pelo município do Amboim, e a Oeste pelo município de Porto Amboim. Fazem parte deste as comunas de Quilenda e Quirimbo.

Os moradores da Quilenda que falaram a OPAÍS contaram que na localidade existem outras vias alternativas que carecem de intervenção urgente. Entretanto, a abertura da via principal, que liga o seu município à Gabela, passou a gerar desenvolvimento. Segundo Leonel Manuel, nato da Quilenda, a vida nessa localidade tem sido muito difícil, principalmente para aqueles jovens que não têm meios de sustento. A única saída é apostar na agricultura como meio de sustento, devido ao potencial agrícola que a comuna apresenta.

O jovem, que é mecânico de profissão, explica que muitos da sua idade são obrigados a deixar a escola e dedicar-se às lavras devido à falta de emprego e à fome que assola as famílias, enquanto outros inclinam- se para a delinquência. “O asfalto foi inaugurado este ano e o município ganhou vida. Antes, este município era considerado como um bolso de trás, porque só tinha entrada e não tinha saída. Mas com esta estrada já sentimos o desenvolvimento e acreditamos que muita coisa poderá melhorar”, disse.

Falta de banco condiciona a vida dos habitantes

Esse morador disse ainda que a falta de um banco tem deixado alguns munícipes agastados, porque são obrigados a deslocar-se até a Gabela para obterem algum dinheiro. Por isso, defendem a construção naquela localidade de uma instituição bancária, por forma a facilitar as transições comerciais e a segurança dos utentes. “A nova estrada tem facilitado muitas coisas, entre elas na procura de um banco. Aqui, como vêem, não temos nenhum banco e para tirar o dinheiro temos que nos deslocar à cidade da Gabela, que fica a aproximadamente 30 quilómetros. Daqui para lá, antes fazíamos duas horas”, contou.

Os habitantes mostram-se também preocupados com a degradação das vias secundárias da localidade, algo que tem deixado alguns professores e alunos com dificuldades de se deslocarem às escolas. Leonel Manuel explicou que o seu município tem várias vias secundárias e terciárias que também precisam de ser reabilitadas, porque na época chuvosa a circulação para essas áreas é muito difícil, por causa da lama, e no Cacimbo devido à poeira. Por sua vez, Melo João Lucas, de 53 anos, que sempre viveu nesse município, conta que no passado havia muitas dificuldades, sofreram muito com a falta da estrada, mas com ajuda da Administração e do Governo sentem-se ricos, pois acreditam que o asfalto irá trazer desenvolvimento.

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