Bonga encerra VI temporada do “Show do Mês” com concerto memorável

O “Maioral” regressa ao país em Dezembro para um único concerto inserido no projecto musical “Show do Mês”, pelo que aguarda-se por uma exibição memorável. Antes, o mesmo projecto vê actuar com a sua voz e harmonia, a cantora Ary, nos dias 29 e 30 de Novembro

Por:Jorge Fernades

O local ainda não foi revelado, entretanto a produtora Nova Energia, confirma a presença do embaixador da música angolana, Bonga, no dia 14 de Dezembro para uma única noite de concerto. Porém, adiantam que as condições estão a ser criadas e o foco recaí ainda para a apresentação de Ary, nos dias 29 e 30, no Royal Plaza, em Luanda. O porta-voz da Nova Energia, Nelson Cantos, confirmou em entrevista a O PAÍS, a presença do internacional angolano nas hostes do “Show do Mês”, tendo garantido que Bonga encerra a VI temporada do projecto com a realização de uma única noite de concerto e não duas como habitual.

“Nesse momento, o que lhe posso garantir é que será uma única noite de concerto, e quanto ao local estamos a estudar, pois temos noção da procura que vai suscitar. Pelo que estamos a trabalhar para fazermos um concerto à dimensão do artista, e que satisfaça obviamente, o público apreciador de Bonga”, salientou. Entretanto, as expectativas quanto ao show de Bonga são altas uma vez que, segundo Nelson Cantos, a manutenção da qualidade sonora e artística bem como o rigor, características identitárias da produtora, o mesmo não será diferente com a exibição deste “monstro” da música angolana. “Bonga é um artista que dispensa qualquer tipo de apresentação.

Tê-lo connosco é o reviver de um misto de emoções, que marcam a sua trajectória artística ao longo destes anos. Embora viva fora de Angola, ele nunca parou de cantar a sua gente e mantém o semba como principal bandeira. Por essa razão, achamos que será um concerto memorável”, salientou o responsável pela comunicação da produtora.

Reportório

Quanto ao reportório, Nelson Cantos apenas adiantou que além de memorável será uma viagem ao cancioneiro do Bonga de todos os tempos. Ou seja, será à partida um itinerário pela sua discografia, a que se inclui o último álbum do artista lançado em 2016 intitulado “Recados de Fora”. “Como disse, Bonga é um artista que dispensa qualquer apresentação, embora reconheçamos que muitos jovens podem não conhecer a sua música. Daí que teremos um concerto eclético, em que a nova geração poderá ter contacto com a riqueza artística, melódica e métrica de Bonga, enquanto a antiga fará uma viagem ao passado”, vaticinou.

O artista vs crítica 

José Adelino Barceló de Carvalho “Bonga Kuenda”, um homem do desporto (atletismo) em que bateu vários recordes até aos 400 metros. É na música onde o homem do Porto Kipiri, no Bengo, ganhou maior notoriedade ainda no período colonial. Amor à pátria, revolução, intervenção social, baseada nos musseques, e não só, na vivência do quotidiano angolano, são, entre outras, as características da música de Bonga durante e depois do alcance da independência a 11 de Novembro de 1975. Nessa época, já havia editado na Holanda em 1972, o álbum “Angola 72” e posteriormente “Raizes” em 1975.

O jornalista Jomo Fortunato a quem coube o prefácio do livro “Bonga Marcas na Oralidade Angolana”, de Filomeno Pascoal, o descreve como “um caso de inequívoca notabilidade histórica e de contínua preservação da memória musical angolana”. No mesmo livro ainda se lê “artista convicto dos seus ideais, a sua música incorpora no íntimo, o estigma e a afirmação de uma filosofia cultural identitária, e está assente em valores cuja absorção teve os seus contornos estéticos na efervescência dos musseques de Luanda, nos anos 50”, descreve.

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