Companhia “Los Zangos Teatro” aborda em exibição cenas do quotidiano

Trata-se de uma iniciativa inserida no projecto de dinamização de factos culturais na zona do Zango, visando atrair jovens envolvidos em práticas ilícitas, sob a égide da companhia teatral e da Associação Kamba Forte

Por:Antónia Gonçalo

A companhia “Los Zangos Teatro” exibe-se neste Domingo, 1 de Dezembro, no Centro Desportivo Comunitário do Zango 4, município de Viana, com a peça “Cenas soltas”, que aborda aspectos do quotidiano dos angolanos. A comédia com duração de 40 minutos é narrada pelo personagem (professor) Chipepa, que na sua actuação brinca com a realidade dos cidadãos, relativamente à saúde e a questões salariais.

No outro lado, encontra-se o Ndombele, um analfabeto que aproveita- se dos bens que possui, para aprontar com a família e os seus funcionários. A referida mostra enquadra-se no projecto desenvolvido em parceria com a Associação Kamba Forte, que visa dinamizar o espaço, de modo a atrair jovens envolvidos em práticas negativas.

De acordo com o coordenador da companhia teatral, Carlos de Carvalho, o centro encontra-se numa área onde a maior parte das casas comercializam bebidas alcoólicas e outros males que afectam maioritariamente os jovens. Por essa razão, achou-se necessário reeducar os munícipes, através da dinamização cultural, entre os quais o teatro, onde é possível a exibição de várias temáticas. Fez saber igualmente, que tratar-se de um espaço adequado para tais actividades, mas que infelizmente está totalmente ‘adormecido’.

Estamos a criar o movimento necessário naquele espaço. Esse tem sido o nosso trabalho, tentar tirar os miúdos da droga, da bebedeira, da prostituição através de actividades artísticas e lúdicas. Numa primeira fase começamos com o teatro e as pessoas já começam a perguntar e a passar a mensagem”, afirmou.

Exibições

A companhia criada em Janeiro de 2017, no seio do grupo Dadaísmo, antes mesmo de se tornar no grupo que hoje é, funcionava como o “Projecto Los Zango Teatro”, que visou dinamizar as artes nesta área do município. Carlos de Carvalho contou que o mesmo ao ter sido desanexado da companhia Dadaísmo, passou a desenvolver as suas actividades teatrais.

“Em 2015, quando viemos para cá, notei que era uma zona fértil, onde não existia muito sobre o teatro. Apesar de no princípio notar essa timidez, é um projecto que acredito ser ousado ”, enfatizou. As peças são ilustradas aos finais de semana, numa sala alternativa, com capacidade de acolher 80 munícipes.

As primeiras exibições ocorreram de 9 a 10 do corrente mês, com a peça “Vozes”, onde pretenderam mostrar uma forma diferente de ‘pensar ‘África’, desprendida do passado, ligada ao tráfico de escravos, ao racismo, à inveja e ao ódio. O dramaturgo contou que os 12 actores que integram o grupo, desde adolescentes e adultos foram formados por si, no período de dois anos, tendo merecido aulas intensivas de técnicas teatrais.

“Além de ensinar as técnicas das artes tive de ensinar a serem homens e a respeitar o próximo. Então, tem sido um processo de reeducação, acima de tudo agradável, porque é possível ver mudanças e muitos deles acredito que vão se destacar no mercado”, observou. A nível do município, em 2018 o grupo conquistou vários prémios através dos trabalhos apresentados, como o de “Melhor obra”, “Melhor encenação”, “Melhor texto” e o de “Actriz revelação”.

A zona

A zona do Zango, adstrita ao município de Viana, em Luanda, é uma localidade criada com objectivo de realojar cidadãos provenientes em áreas de risco na capital. Maioritariamente a urbanização acolheu sinistrados vindos da Chicala (Ilha de Luanda) e da Boavista, no Sambizanga.

 

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