Mestrado para educação de infância abre em 2020

a primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, anunciou, ontem, que em 2020 o Executivo irá proceder à abertura do curso de mestrado em metodologias especializadas de ensino para a educação infantil. As declarações foram feitas em Luanda, no ciclo de conferências “Educar para a cidadania”

A abertura de um curso de mestrado em metodologias de ensino exclusivas para a educação infantil surge com o propósito de as funções docentes na educação pré-escolar serem asseguradas em cada província por professores devidamente qualificados e com bom desempenho.

Ana Dias Lourenço defende que o investimento na educação pré-escolar e na formação dos educadores de infância se assemelha à fundação de uma casa, onde se deve colocar à tona da terra materiais estruturantes, para que o peso da futura construção seja bem distribuído.

“As crianças são uma responsabilidade colectiva, pelo que defendo a promoção de uma educação de infância de qualidade, que passa pelo seu enquadramento como espaço de construção da cidadania, tais como a educação para a sustentabilidade, para a salvaguarda dos direitos humanos e a educação para a saúde”, sublinhou.

Por isso, em 2020, o Executivo irá proceder à abertura do curso de mestrado em metodologias especializadas de ensino para a educação de infância. Há a necessidade de se trabalhar não apenas para o presente, tendo em conta que o resultado das políticas e de intervenção dos profissionais só se consegue observando a médio e longo prazo. Segundo a Primeira-dama da República, as profissões de assistente social, educador social e o educador de infância não são para serem exercidas nos gabinetes, mas sim no campo, pois “são missões de vida, são compromissos que deixarão uma marca nos cidadãos e nas comunidades por onde cada um destes profissionais passar”.

Assegurou que o seu gabinete pretende trabalhar em prol da redução das desigualdades sociais, promover a inclusão social das crianças, jovens e idosos, assim como colaborar com o Executivo na implementação de medidas e sistemas de protecção social.
Para alcançar tal objectivo, foram criadas duas plataformas, designadamente a “roda do amor” e “transforme vidas, seja mulher”, com a finalidade de promover valores e princípios sociais fundamentais que mais tarde servirão a Nação.

De acordo com Ana Dias Lourenço, a primeira plataforma é dirigida à criança na primeira infância e a segunda aos jovens, em particular às meninas, no sentido de as motivar a assumir o seu papel enquanto agentes de mudança e influência na sociedade.
“angola já não pode caminhar sem intervenção de educadores sociais” Na ocasião, o director-geral do Instituto Superior de Serviço Social de Luanda, Laurindo Vieira, que falava sobre a formação de profissionais no sector social no país, afirmou que
no campo de desenvolvimento humano a sociedade angolana já não pode caminhar sem intervenção de educadores sociais, assistentes sociais e educadores de infância.

Bem como, sem a presença de psicólogos, sociólogos, filósofos, antropólogos entre outros. Reiterou que a sociedade precisa de educadores de infância que ajudem na educação para a cidadania, que tenham respostas para os diversos problemas vividos pela criança.

Sendo que há a necessidade de ter a nível nacional psicólogos, de modo a ajudar no desenvolvimento moral na formação de uma personalidade sã, principalmente das crianças, adolescentes e jovens. Sobretudo os adultos que vivem os dilemas e as frustrações da vida quotidiana, dos sociólogos espera-se que ajudem a compreender as causas, assim como as consequências da anomia, alienação, da estruturação das sociedades, dos fenómenos inerentes à delinquência, à criminalidade, através da realização de estudos que apontem não apenas as causas, mas, fundamentalmente, as soluções.

Defende que o país tem de definir uma política social, onde todos os especialistas possam estar integrados em equipas multidisciplinares. Contudo, é fundamental que não baste ter instituições do ensino superior que formem especialistas em diversas áreas sociais, é necessário que as instituições públicas, através de concursos públicos, integrem os especialistas nos seus quadros.

ISSS formou em nove 750 agentes sociais

Laurindo Vieira lembrou que a instituição que dirige recebeu os primeiros formandos em serviço social e educação da infância em 2010, pelo que em nove anos de existência formou 376 licenciados em educação de infância, entre os quais 72 do sexo masculino e 304 do feminino. Em serviço social foram formados 354, desta cifra 219 homens e 135 mulheres. Sendo no total 750 licenciados.

Afirmou que a população estudantil da sua instituição é maioritariamente jovem e do sexo feminino, o que deixa satisfeita a direcção, considerando a importância da mulher na educação comunitária.

Na prática educativa, para além do desenvolvimento de competências na sala de aula, procuram ainda, dentro do exercício da extensão universitária e dos estágios curriculares, transformar os programas e métodos, de modo a que os estudantes tenham uma robustez intelectual assente no saber ser, saber fazer e saber falar. Três componentes necessárias para o educador de infância, assim como para o assistente social.

Apesar das dificuldades que a sua instituição enfrenta, estas não a impedem de trabalhar com o seu lema: “instituto superior de serviço social, um projecto humanitário”.

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