Morreu o jornalista Abel Abraão

o jornalista reformado da Rádio Nacional de Angola (RNA) Abel Abraão morreu, na manhã desta Terça-feira, no Hospital Provincial do bié

A informação foi prestada à Angop por um membro da família, sem contudo avançar as causas. A sociedade angolana, em particular a da província do Bié, manifestou, nesta Terçafeira, consternação pela morte do jornalista Abel Abraão. Em nota de condolência enviada à ANGOP, o ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (MTTI), José Carvalho da Rocha, augura que o legado de Abel Abraão seja seguido e amplamente divulgado para a nova geração.

Já os profissionais da classe jornalística destacaram o contributo de Abel Abraão, considerando-o como um “ícone” do jornalismo angolano, especialmente, na província do Bié.

Para o director da Emissora Provincial da Rádio Nacional de Angola (RNA) no Bié, Jonas Albino, foi um “verdadeiro mestre” na instituição, porquanto não se coibia de instruir, quer os novos quer os antigos colegas. Já o chefe de informação da Televisão Pública de Angola (TPA), Fernando Sombreiro, afirmou que, com a morte de Abel Abraão, a classe fica mais empobrecida, na medida em que sempre se dedicou a ensinar os princípios basilares do jornalismo moderno às novas gerações.

Por sua vez, o jornalista da Agência Angola Press (ANGOP), no Bié, Jilmar Enoque Chitondua, diz ter sido influenciado por aquele profissional a seguir o jornalismo, não só pela forma como se destacou durante o conflito armado, como também pelo facto de ter tido paciência em ensinar a busca da verdade nesta profissão.

Quem também manifestou consternação pela morte do jornalista é o administrador do Cuito, Avis Agostinho Vieira, afirmando que contribuiu também para o alcance da paz.

O jornalista iniciou a sua carreira, em 1980, tendo-se notabilizado como repórter de guerra com a cobertura jornalística, no Cuito, dos momentos mais difíceis do conflito armado pós-eleitoral de 1992. Durante o conflito militar, Abel Abraão levou ao conhecimento da comunidade nacional e internacional, através dos noticiários da RNA, os meandros da guerra na província do Bié, pelo que chegou a ter a cabeça a prémio pela UNITA, face à sua forma de narrar os factos naquela época.

Abel Abraão, agraciado com o galardão do Prémio Maboque de Jornalismo, na sua primeira edição, em 1994, contou num dos seus depoimentos, que chegou a ser atingido por um projéctil que lhe causou ferimentos, em 1994. A 9 de Novembro deste ano, no Cuito, Abel Abraão foi homenageado pelo Governo, com a atribuição do seu nome à Mediateca da Província do Bié, “Mediateca Abel Abraão”, inaugurada no âmbito das festividades do 44º aniversário da independência nacional (11 de Novembro).

PR lamenta morte de Abel Abraão

O Presidente da República, João Lourenço, endereçou ontem, Terça-feira, uma mensagem de condolências à família do jornalista reformado da Rádio Nacional de Angola, Abel Abraão, falecido na província do Bié, vítima de morte súbita. Na sua mensagem, o Chefe de Estado considera prematura a morte do profissional que se notabilizou no período do conflito pós-eleitoral de 1992. João Lourenço ressaltou a coragem e o profissionalismo de Abel Abraão, sublinhando que o jornalista “enfrentou perigos e dificuldades quase insuperáveis”, e “foi a voz do martirizado povo angolano sitiado na cidade do Cuíto, Bié”.

“As suas reportagens diárias, sobre os dramas e vicissitudes vividos na cidade sitiada, eram acompanhadas com emoção por Angola e pelo Mundo, pela forma como conferia verdade humana ao esforço de sobrevivência de todos os seus habitantes”, escreveu.

O Presidente da República lembrou que, no âmbito das festividades do 44º aniversário da Independência Nacional, Abel Abraão foi alvo de homenagem, ao ver o seu nome atribuído à Mediateca da Província do Bié, inaugurada e aberta ao público a nove de Novembro do corrente ano.

“Expresso nesta ocasião à Família enlutada, aos seus amigos e colegas de trabalho os mais profundos sentimentos de pesar, esperando que possam atenuar a sua dor com a memória dos grandiosos feitos do inditoso jornalista”, concluiu o Chefe de Estado.

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