Mortalidade infantil pode reduzir com cumprimento do calendário de vacinação

dizem as estatísticas, se todas as crianças, principalmente dos países em desenvolvimento, completarem o calendário de vacinação antes de um ano de idade, teremos reduzido a mortalidade infantil e materna acima de 80 por cento, assegurou secretário de Estado da Comunicação Social, Celso Malavoloneke

A Universidade Privada de Angola (UPRA), em parceria com o Centro Universitário de Saúde ABC do Brasil, realizou ontem, nas suas instalações, o “Simpósio Internacional sobre Vacinas”.

O Simpósio teve como objectivo analisar o perfil epidemiológico das doenças imunopreveníveis em Angola, bem como o papel dos cuidados primários de saúde no cumprimento da cobertura vacinal e da educação para promoção da saúde preventiva. No seu discurso na abertura no Simpósio Internacional sobre Vacinas, Celso Malavoloneke disse que motivos culturais, mas principalmente por motivos logísticos, a vacina não chega às comunidades.

“Por motivos ligados à comunicação, as famílias não estão informadas da vantagem e da força imunológica da vacina e algumas vezes também pela pouca qualidade do serviço e pelo pouco comprometimento dos profissionais ligados ao processo de imunização”, disse. Referiu que se todas as crianças, principalmente dos países em desenvolvimento, concluírem o calendário de vacinação antes de completarem um ano de idade, teremos reduzido a mortalidade infantil e materna acima de 80 por cento.

“Ou seja, 80 em cada 100 crianças terão mais possibilidade de não perecerem antes dos cinco anos se completarem o calendário de vacina antes de completarem um ano de idade”, afirmou.

Angola é o único país da África subsahariana que compra as próprias vacinas De acordo com o responsável, Angola é um dos poucos países, se não o único país da África Subsahariana, que compra as suas próprias vacinas e toda componente necessária, desde o material gastável e também a cadeia de frio. Por sua vez, o reitor da UPRA, Carlos Sousa, reconheceu ser ainda exígua a nossa contribuição em torno das questões voltadas para a vacinação, se comparada com a sua importância para a sociedade.

Salientou que a vacinação é uma das formas mais eficazes, económicas, simples e acessíveis de prevenir doenças imunopreveníveis, afirmando que a vacina é uma conquista da sociedade moderna e representa um marco indelével na história da humanidade e na história da medicina.

Foi com a vacina que a “varíola” foi erradicada no mundo. “Para ter uma ideia da importância da vacinação para a humanidade em geral e para a medicina em particular, entre 1896 e o fim da década de 1970, a Varíola matou mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo”, realçou.

País conta com mais de 1800 unidades de vacinação

A directora do Programa Alargado de Vacinação (PAV) em Angola, Alda Sousa, médica epidemiologista disse que o programa de vacinação no país é um plano que tem enfrentando grandes desafios e desde a sua instalação até hoje tiveram ganhos importantes.

“É um programa que foi institucionalizado em 1979 e na altura oferecia apenas seis vacinas no calendário de vacinação e um ano depois foi introduzida mais uma vacina, que é a da Febre-Amarela”, contou. Segundo a responsável, hoje temos um programa considerado robusto dentro daquilo que é o continente africano e que oferece 12 vacinas, cobrindo mais de 16 agentes patogénicos.

“Angola foi um dos países que em 1999 registou a maior epidemia da Ária da Vacinação em África e que em 2015 foi possível demonstrar ao mundo e receber a certificação de país livre da Pólio”, disse.

Realçou ainda que em 2003 o país tinha apenas 430 unidades sanitárias com vacinação e em 2018 já tinha mais de 1800 unidades. Tem sido um grande esforço do Executivo abrir mais unidades sanitárias com apetrechamento de cadeia de frio. “O nosso desafio é continuar a introduzir mais vacinas no calendário de vacinação. Nós precisamos também da colaboração de toda a sociedade, porque as vacinas estão disponíveis, mas infelizmente ainda continuamos a enfrentar algumas resistências por parte de alguns encarregados”, frisou.

Alda Sousa explicou ser importante primar-se pela prevenção, porque, segundo dados da OMS, por um dólar que se paga com uma criança completamente vacinada, há o temos o retorno de 16 dólares.

Explicou que das doenças imunopreveníveis que temos agora o problema é com o sarampo, a seguir a póliomélite, que é controlável, mas acreditando que num período mínimo de seis meses desde a ocorrência do ultimo caso possam contornar essa situação. Não deixou de frisar as outras doenças como pneumonia e a meningite.

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