Cidadão de 73 anos morre no Lubango e a família culpabiliza Hospital central

um cidadão de 73 anos de idade morreu no Hospital Central do Lubango, no passado dia 3 de Novembro, depois de ter permanecido internado na unidade sanitária por duas semanas. A família do malogrado culpa o hospital

A denúncia foi feita ao OPAÍS pelo filho da vítima. Afonso, de 73 anos de idade, que deu entrada no Banco de Urgência no dia 19 de Outubro, com sintomas de AVC, foi orientado a realizar uma bateria de exames para se apurar as causas do desmaio que sofrera horas antes, na sua residência, no Município de Quilengues.

O filho mais velho do malogrado, Orlando Afonso Wakalenda, culpa o corpo clínico do Hospital Central do Lubango pela morte do seu pai, pelo facto de terem sido obrigados a abandonar a enfermaria da referida unidade sanitária, mesmo com o seu paciente em estado crítico. Orlando Afonso Wakalenda revela que foi surpreendido por uma médica de nacionalidade russa, que comunicou-lhe a decisão do Hospital Central do Lubango, de abandonar a enfermaria, numa altura em que o estado clínico do seu paciente ainda inspirava cuidados. “Os médicos queriam contactar a família do paciente na Sexta-feira, isso no dia 01 de Novembro.

Chegamos no dia marcado, encontramos na enfermaria uma médica que perguntou-nos se éramos filhos do senhor Afonso e disse-nos que o caso dele não tem solução, nunca vai ficar bom, já tinham passado a alta e que tínhamos de levá-lo à casa”, contou. Dado o estado crítico do seu familiar, segundo contou, posicionaram-se contra a ideia do hospital, uma vez que não dispõem de nenhuma pessoa especializada para prestar os devidos cuidados.

“Eu disse que no estado em que o meu pai se encontrava não era possível levá-lo a casa, porque estava a alimentarse através de sondas, não conseguia falar, nem mover qualquer membro. Nós pensávamos que o lugar dos pacientes é no hospital e não em casa, porque carece de acompanhamento de um especialista”, disse. Entretanto, só foi possível convencer a médica de nacionalidade russa, depois de os familiares garantirem que haveriam de conseguir uma outra unidade sanitária para o internamento de Afonso.

Orlando Afonso Wakalenda explicou que só foi possível encontrar uma outra unidade sanitária no dia 4 de Novembro, e chegaram a levá-lo lá, mas não resistiu e no mesmo dia perdeu a vida. “Nós depois de termos convencido a médica a deixar ficar o nosso paciente na enfermaria, tencionávamos levar o nosso pai à Clínica do Cristo-Rei, mas não foi possível porque ele acabou por morrer”, afirmou.

“Os resultados das análises só nos foram dados graças a um amigo” Por outro lado, o filho mais velho do malogrado contou que no passado dia 19 de Outubro, dia em que o seu pai deu entrada no Hospital Central, foi orientado por um médico neuro-cirurgião, a realizar uma bateria de exames, com realce para a ressonância magnética e Raio X.

Todos os exames recomendados pelo médico foram feitos, porém os resultados nunca foram dados a conhecer à família que acompanhava de perto a evolução do seu paciente. “Nós começamos a interagir com os médicos para saber quais foram os resultados, eles disseram que todos os exames deram negativos, mas depois de o nosso pai ter uma nova crise, voltamos a perguntar o que se passava, já que os resultados eram todos negativos, foi-nos dito, depois de exigirmos, que o pai tinha uma lesão no cérebro”, disse.

A equipa de reportagem de OPAÍS contactou a Direcção do Hospital Central do Lubango, no dia 21 do corrente, para efeitos de contraditório, porém, esta, através da Direcção Clínica, respondeu não ter domínio do assunto, pelo que precisaria reunir a equipa médica para os devidos esclarecimentos. Por esta razão, a Direcção Hospital Central do Lubango, não prestou qualquer esclarecimento ao OPAÍS, até ao fecho desta edição.

error: Content is protected !!