Esforços do Governo começam a dar resultados

análises do Standard bank sinalizam “resultados positivos” na sequência de esforços empreendidos pelo Executivo angolano nos ultimos meses

a implementação de reformas efectuadas pelo Executivo a n g o l a n o permitiu reduzir até 30% as importações no segundo trimestre do ano em curso e aumento substancial do saldo, considerado um grande avanço para a estabilidade económica. Os dados foram apresentados durante o evento económico de projecção do Standard Bank. Segundo o economista do Standard Bank para Angola e Moçambique, Fáusio Mussá, registou-se uma queda nas importações de 30%, o que permitiu um aumento substancial.

O facto ocorreu num período em que o Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou medidas administrativas, de modo a evitar que as importações fossem utilizadas como um instrumento para colocar dinheiro fora do país via transferência ou outra. “Acreditamos que este esforço começa a ter um resultado positivo para a economia e afinar os instrumentos para melhorar e garantir prosperidade. Por outro lado, no meio desse processo muitas empresas que fazem negócios foram afectadas por esta frequente regulação”, disse.

No que toca às reservas, comparadas com as Reservas Internacionais Líquidas do mês de Dezembro de 2018, estão praticamente inalteradas e situamse nos USD 10 biliões, o que dá algum conforto. Para o economista, isso significa que muitas medidas que estão a ser implementadas estão a permitir manter as reservas. Segundo ele, é importante compreender que o facto de Angola ter um fundo, do ponto de vista de financiamento com valores que permitam resolver as dificuldades que apresenta, traz nos vários investidores internacionais grande confiança para investir no país. No que tange à inflação, em função do ajustamento dos preços dos combustíveis a ser implementado o próximo ano, a inflação poderá ser superior ou inferior aos 25%.

“O governo está a tentar cortar a despesa pública para que haja um superavit fiscal. Se não houver um superavit fiscal, a dívida pública todos os anos é conectada e não há outra medida de politica para adaptar neste momento no país”, disse. Para o economista, é preciso gerar excedente fiscal para amortizar a dívida pública de Angola.

O primeiro benefício das reformas que estão a ser feitas em Angola será a retomada de uma estabilidade macroeconómica. Segundo ele, as mudanças são profundas e não servem somente para estabilizar a economia, mas também para que se possa tirar rendimento de outros sectores, além do petróleo.

Por esse motivo, é necessário continuar com as reformas. “Depois de um período de implementação de reformas teremos uma inflação estável e reduzida, o mesmo acontece com a taxa cambial e a economia retomará o crescimento,” explica. Do ponto de vista imediato, Fáusio Mussá acredita que as medidas implementadas pelo Executivo angolano, como por exemplo as alterações regulamentares no sector dos petróleos, a lei de investimento e a privatização de um conjunto de empresas, vão atrair mais investimentos para Angola a partir do próximo ano no sector dos petróleos e outros.

Questionado sobre os passos necessários para que o sector informal beneficie a economia angolana, o economista salientou que a informalidade continua a crescer num momento em que a economia apresenta dificuldades. Sustenta a opinião no facto de que algumas das empresas que funcionavam no sector formal, provavelmente, não conseguem sobreviver, tendo em conta a situação económica que o país vive e passam a funcionar na informalidade. Por outro lado, o sector informal também alimenta famílias e tem um impacto grande do ponto de vista social e até fiscal.

O sector informal tem um peso que não deve ser ignorado

O responsável avançou que o sector informal aumenta a cada dia que a economia se torna difícil. Se as indústrias não olharem o referido sector como uma opção de negócios podem perder dinheiro, tendo em conta a crise económica.

Fáusio Mussá referiu que, de acordo com dados estatísticos de Angola, o desemprego é muito grande. Enquanto a economia não voltar a crescer a um ritmo acelerado vai ser difícil colocar os níveis de emprego nos objectivos desejados e espera-se que grande parte das famílias vão sobreviver no sector informal. “É realidade que não acontece somente em Angola, mas num conjunto de países da região da SADC”, explicou.

Questionado se o peso da divida pública coloca em causa o crescimento económico, Fáusio Mussá referiu que o stock da divida em Angola tem um impacto duplo. Mas ainda assim analisou a última emissão no Eurobonds de Angola que, segundo ele, foi bem sucedida com uma procura superior à oferta, o que mostra que os investidores estão confortáveis com o tipo de reformas que o país está a implementar e o tipo de parceiros que conseguiu adquirir.

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