Exposição itinerante de “Heroínas Africanas” chega a Luanda

A mostra conta com imagens das heroínas, algumas em cenário de guerra, inclui ainda documentos históricos, entre poemas, manuscritos, jornais da década de 60, cartas, cartazes, capulanas e “panu de pinti” (panos africanos) com retratos das heroínas, entre outros

Sob a chancela da Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana (PADEMA) chega a Luanda a exposição itinerante sobre “Heroínas Africanas da Luta de Libertação contra o Colonialismo”, que será inaugurada a 3 de Dezembro, na Universidade Católica de Angola e insere-se no quadro da mesa redonda sobre “Deolinda, as mulheres na luta de libertação” e poderá ser visitada até ao dia 5 do mesmo mês.

Depois da estreia em 2017, a exposição “Heroínas Africanas da Luta de Libertação contra o Colonialismo”, em que se destacam as histórias comuns de Deolinda Rodrigues (Angola), Josina Machel (Moçambique) e Titina Silá (Guiné Bissau), lutando para as independências dos seus respectivos países.

A exposição de acordo com nota assinada pela presidente do PADEMA, Luzia Moniz, pretende contribuir para o não-esquecimento a que estão votadas as mulheres na história contemporânea africana, geralmente retratadas como auxiliares de heróis, como esposas, como mães e como alunas da causa maior da independência e, por essa razão, é preciso prestigiar a sua participação nos movimentos independentistas. “Porque até aquelas mulheres que carregaram nas suas cabeças o armamento que suportou a guerra, tiveram de ter coragem, firmeza e inteligência para o fazer, enfrentando o poder colonial e correndo riscos de vida”, lê-se no documento.

A mostra Por outro lado, a exposição conta com imagens das heroínas, algumas no cenário de guerra e outras em estágios, e formações fora dos seus países de origem, como no caso de Titina Silá ou os contactos internacionais de Deolinda Rodrigues com líderes mundiais. Conta igualmente com poemas sobre as combatentes e no caso de Deolinda Rodrigues e de Josina Machel, escritos por elas mesmas.

De Moçambique, há ainda as capulanas comemorativas de Josina Machel que todos os anos aludem à sua memória, a sua poesia e imagens inéditas. A mostra inclui ainda cerca de 30 documentos históricos, entre poemas, manuscritos, jornais da década de 60 do século passado, cartas, cartazes, capulanas e “panu de pinti” (panos africanos) com retratos das heroínas, entre outros.

As heroínas Deolinda Rodrigues entrou para a História de Angola como mártir da luta armada de libertação nacional. Mas até à sua morte, aos 28 anos, em 1967, ela foi uma combatente da liberdade, dirigente do movimento revolucionário angolano e activista incansável dos direitos humanos. Esteve sempre na primeira linha no terreno da luta ao lado dos seus camaradas angolanos e teve contactos com figuras de relevo mundial, como Che Guevara, Martin Luther King, o grande líder negro da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos e Amílcar Cabral, líder do PAIGC, entre outros.

Deolinda Rodrigues estudou no Brasil, qaue teve de abandonar indo para os Estados Unidos, devido à perseguição da polícia política portuguesa, a PIDE. Josina Machel Foi uma das mais importantes mulheres da História de Moçambique e é por isso considerada ícone nacional. Começou a interessar-se pela causa da independência com a prisão de vários militantes independentistas e como estudante estava integrada em actividades políticas clandestinas que mobilizavam a juventude moçambicana.

Contudo, durante o processo de fuga, o grupo de que fazia parte foi preso pela polícia e Josina e os seus colegas seriam deportados e entregues à PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado). O dia da sua morte, 7 de Abril, é celebrado anualmente como o Dia da Mulher Moçambicana. Titina Silá Faleceu a 30 de Janeiro de 1973 a caminho do funeral de Amílcar Cabral, líder do PAIGC – Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo-Verde.

Esta coincidência de datas é também coincidência de duas vidas pautadas pela Luta de Libertação Nacional. São ambos combatentes de diferente escala, género e condição social. Mas são os dois representativos daquilo que foi a luta no país, uma causa de todos os guineenses e cabo-verdianos, de união de culturas e pertenças com o justo fim da vitória estratégica.

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