Funcionários da saúde em Quilengues postos na rua após dois anos sem salário

Cerca de 50 funcionários entre administrativos e enfermeiros eventuais, nas mais diversas especialidades, foram dispensados pela Direcção Municipal da Saúde do município de Quilengues (localizado a 145 quilómetros a norte da cidade de Lubango, capital da província da Huíla), desde Janeiro deste ano

Com os salários a rondar os 92 mil Kwanzas, os 50 funcionários enfermeiros dizem estar a passar por várias dificuldades, pelo facto de ainda não terem sido pagos os seus salários, num total de 22 meses. Bernardo Agostinho, um dos técnicos auxiliares de enfermagem que trabalhou durante sete anos no Hospital Municipal de Quilengues, e foi despedido sem receber o seu ordenando em dívida, lamenta o que se está a passar.

Bernardo Agostinho disse que, com esta situação, a sua vida tem sido difícil, já que actualmente encontra- se na condição de desempregado, pelo que não vê qualquer esperança, uma vez que já não faz parte dos quadros da Direcção de Saúde, que os tinha contratado como eventuais. “Nós trabalhamos, agora estamos na rua, sem emprego e sem a nossa remuneração.

Antes servimos o país neste município, agora somos postos na rua, não vemos qualquer esperança. Ainda assim queremos apenas os salários do tempo trabalhado”, disse. Já Quinta Francisco, que prestou serviços na área administrativa durante um ano, conta que a Direcção Municipal não pagou os seus salários, equivalentes a 12 meses, pelo que defende a resolução deste problema o mais rápido possível.

“Eu trabalhei como auxiliar de limpeza no Hospital Municipal de Quilengues de 2015 a 2016, pagaram-me apenas o salário de um ano (2015) e o ano de 2016 está em dívida. Já que estamos na rua, queremos apenas o nosso dinheiro”, revelou.

Administração Municipal diz ter conhecimento da dívida A administradora adjunta Municipal de Quilengues disse ao Jornal OPAÍS ter conhecimento da dívida com os mais de 50 trabalhadores do sector da saúde, pelo que tudo está a ser feito no sentido de solucionar o problema num curto espaço de tempo. Sem revelar o valor global da dívida, Pancrácia Hossi informou que já foi enviado todo o processo da divida à Delegação Provincial das Finanças para o devido tratamento.

“Neste momento estamos num processo de conversações, já temos os processos destes eventuais enviados à Delegação das Finanças, porque só as finanças pode dar solução ao problema, já que ao nível municipal não conseguiríamos pagar o valor da dívida”, garantiu.

Por outro lado, a administradora adjunta revelou que está igualmente em curso um processo de levantamento de outros funcionários eventuais que se encontram nas mesmas condições. Pancrácia Hossi não avançou uma data exacta para o pagamento da referida dívida com os funcionários do sector da saúde. Relativamente ao despedimento dos eventuais, a administradora justificou que “foi tomada tal medida para que o valor da dívida não viesse a crescer”, finalizou.–

error: Content is protected !!