Relatório da SADC revela que falta de experiência “afasta” jovens do primeiro emprego nos países membros

Relatório que reconhece progressos em Angola, Botswana e Zimbabwe em matéria de emprego apela aos governos a adoptarem estratégias de industrialização para a criação de cadeias de valores para a absorção do “excesso” de mão-de-obra

Os jovens dos 15 aos 24 anos de idade da região da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) continuam a ser os mais discriminados no mercado de emprego, onde encontram várias barreiras devido à exigência da experiencia profissional. Segundo um relatório, nos países da SADC, onde Angola está incluída, a taxa de desemprego dos jovens dos 15 aos 24 anos na região diminuiu de 18, 1 por cento em 2000 para 12 por cento em 2017 e, no mesmo período, a taxa de desemprego no seio da população mais velha diminuiu de cerca de 8,7 por cento para 6, 9 por cento, aponta o documento.

O relatório foi apresentado no início desta semana na Tanzânia, na reunião de peritos dos subcomités técnicos tripartidos dos sectores do emprego e trabalho dos países membros da região, e exige que os governos membros adoptem mecanismos urgentes para inverter o cenário.

O director-adjunto do Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEFOPO), António Agostinho, que representou Angola no evento, disse a OPAÍS que, com esses números, o relatório mostra que os jovens são os mais propensos a ficar sem emprego na região, devido a esta condicionante, situação que implica maior trabalho dos governos.

Segundo António Agostinho, uma das características apontadas pelo referido relatório prende-se com o facto de atestar que a agricultura é responsável pela absorção de 50 por cento dos empregos a nível da região, com maior incidência em países como Angola, Botswana e Zimbabwe, que lideram a lista nesta perspectiva. Ainda assim, apesar dos avanços nestes países, o director-adjunto do INEFOP fez saber que, das conclusões saídas da reunião, exortam os governos da região a adaptarem estratégias de industrialização para a criação de cadeias de valores, de modos a absorver a mão-de-obra inoperante.

“O relatório mostrou que a agricultura é responsável por cerca de 50 por cento de todo o emprego que é criado na região. Angola está entre os países que registam uma taxa de aumento na geração da empregabilidade da juventude entre 2000 e 2017. Mas, ainda assim, precisamos continuar a trabalhar para eliminar as barreiras apontadas no relatório”, disse.

Maximizar as oportunidades Para António Agostinho, os dados mostram que em Angola poder- se-á maximizar as oportunidades e trabalha-se para que, cada vez mais, os jovens tenham acesso ao sistema de emprego sem barreiras profissionais. Neste sentido, frisou, o Plano de Acção para Promoção da Empregabilidade (PAPE), lançado recentemente, vai contribuir para o aumento da geração de empregos para os jovens. Tal como explicou, o referido plano, de iniciativa do Executivo, prevê a criação de mais de 250 mil postos de trabalho até 2021, e vai ainda promover a formalização de pequenos negócios e a reconversão da economia informal.

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