Sanatório com 200 casos de tuberculose por dia

Duzentos novos casos de Tuberculose (Tb) são diagnosticados diariamente no Hospital Sanatório de Luanda, sendo que 90 por cento são portadores de VIH

Nos últimos três anos, a TB representou a 3ª causa de morte no país, depois da Malária e dos acidentes de viação, e é caracterizada com uma baixa cobertura da rede de atendimento de casos da patologia para 12 por cento nas unidades sanitárias do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ao nível nacional.

Segundo o director do Sanatório de Luanda, Rodrigues Leonardo, que falava à imprensa à margem da VI Jornadas Cientificas sob o lema “na linha da frente para pôr fim à tuberculose e controlar o VIH/SIDA em Angola”, comparativamente a 2019 registou-se um aumento de 40 casos, com um grupo específico que chama a atenção, sendo as crianças o foco principal.

O responsável explicou que várias unidades periféricas transferem para o Hospital Sanatório todos os doentes com suspeitas de tuberculoses ou a sua associação e destas transferências muitos já surgem com exames primários feitos sugestivos de tuberculose. Segundo a fonte, os números no Sanatório, em termos de incidência, estão a aumentar, porém não significa que a problemática esteja a ampliar, mas simplesmente porque as pessoas ganharam mais confiança na prestação de cuidados. No que toca ao abandono do tratamento, apesar da melhoria que referenciou, ainda é um problema sério uma vez que quase a quarta parte dos doentes rejeitam continuar.

Quanto ao stok de fármacos, disse não haver roturas tanto de primeira como segunda linha. “Nos arranjos provisórios feitos no hospital já estão em funcionamentos e registou-se melhorias de acomodação e prestação de cuidados aos utentes. Isto é grave, porque neste grupo de doentes corre o risco de fracassar e ser extremamente resistente, numa classe que até hoje o seu tratamento ainda não é eficaz, por isso ao ser transmitido é também de uma forma resistente“, reforçou.

 

Em relação as VI jornadas, afirmou que constituiu um espaço para a promoção e divulgação da produção técnico-científica da comunidade académica, como resultado do estudo e investigação, favorecendo a socialização do conhecimento e o incentivo à produção de novos saberes. Já o secretário de Estado da Saúde, Leonardo Inocêncio, garantiu que o Executivo tem como prioridade a redução da morbilidade por doenças transmissíveis, entre elas a tuberculose, através de medidas de prevenção, promoção, tratamento completo e reabilitação.

O programa de melhora da assistência médica e medicamentosa assente no Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022 visa, entre outros aspectos, aumentar o acesso e a utilização dos serviços de saúde em todos os níveis de atenção, de forma a cobrir o território e atender um maior número de pessoas.

“ A tuberculose continua a ser um grave problema de saúde pública no mundo, sendo uma doença infecciosa que mais mata e para prevenir e controlar o VIH/ Sida no país, estamos a implementar o programa testar e tratar com o objectivo de aumentar a cobertura da prevenção da transmissão desta patologia de mãe para filho”, adiantou.

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