130 crianças morreram por malária em seis meses no HGL

De Janeiro a Junho do ano em curso 41 mil crianças foram atendidas com patologia diversas no Hospital Geral de Luanda (HGL), das quais cinco mil casos diagnosticados por malária, tendo resultado na morte de 132 crianças, segundo Albertina Mendes, chefe de serviço de pediatria da instituição

Por:Stela Cambamba e Romão Brandão

A chefe de serviço de pediatria do Hospital Geral de Luanda (HGL), Albertina Mendes, que falava nas primeiras jornadas multidisciplinares realizadas por aquela unidade hospitalar, disse ainda que diariamente são atendidas 250 crianças dos zero aos 14 anos e desta cifra a malária tem sido a patologia que mais preocupa os profissionais, seguindo-se as doenças diarreicas agudas e as respiratórias. O Hospital Geral da capital do país é considerado como de referência, pelo que recebe doentes graves que vêm dos centros materno infantis dos bairros Wengi Maka, Chimbicado, Hospital Mãe Jacinta Paulino, Kilamba Kiaxi, Zango, entre outros. Muitas crianças acabam por falecer nesta unidade sanitária, também porque chegam muito tardiamente.

De Janeiro a Junho do ano em curso foram atendidas 41 mil crianças com patologias diversas, das quais cinco mil casos diagnosticados de malária, tendo 132 terminado em óbito. Na cifra de óbitos são vítimas com maior realce as crianças de um a quatro anos de idade, que faleceram por complicações de fórum hematológico (anemia), malária cerebral, hepática e renal. Tendo em conta a situação, Albertina Mendes aconselhou a sociedade a optar pela prevenção, como o uso frequente de mosquiteiro, repelentes, rede mosquiteira nas janelas e sempre que a criança tiver febre procurar rapidamente a unidade sanitária mais próxima. A questão da higiene em casa não pode ser posta de parte, segundo a médica, pois ambientes com lixo e vasos de plantas, por exemplo, são propensos a serem focos de reprodução de mosquitos – este que é o principal vector da malária (a do-ença que mais mata em Angola).

Outra situação que preocupa a especialista é ausência de centros de hemoterapia nas periferias, o que faz com que o número de transferências para o HGL, aumente. Muitos são os casos em que há uma necessidade tremenda de se fazer transfusão sanguínea, já que muitas crianças chegam com um quadro clínico anémico. “Não se consegue fazer transfusão nos centros locais, as crianças são transportadas até ao HGL pomeio próprios, o que retarda a intervenção e acabam perdendo a vida”, acrescentou. O período mais crítico tem sido nos meses de Abril, Maio e Junho, em função das chuvas, o acúmulo de águas paradas e insuficientes condições de saneamento básico. Quanto às condições básicas para atender os doentes, Albertina Mendes sublinhou que isso não representa preocupação, quer logística, quer de recursos humanos.

Necessitam mais de mil trabalhadores

Nas mesmas jornadas multidisciplinares que o HGL realizou, o director desta unidade hospitalar, Carlos Zeca, disse que o seu hospital necessita, segundo o organigrama, de 1256 trabalhadores.O organigrama prevê um total de 1782 trabalhadores, mas neste momento conta apenas com 526, sendo que, deste número, 68 são médicos. O número de profissionais não é o desejado, mas o responsável da unidade tem procurado minimizar o impacto desta carência com a criação de grupos de trabalho, equipas multidisciplinares que têm melhorado a assistência médica naquela unidade.

O hospital pretende trabalhar no sentido de reduzir a mortalidade materna infantil, segundo Carlos Zeca, com investimentos na saúde preventiva. Na opinião do director do Hospital Geral de Luanda a saúde preventiva só se efectiva se os profissionais tiverem em conta que devem sair das unidades e ter contacto directo com as comunidades. Reconhece que os recursos financeiros a nível do país estão escassos, mas se planificarmos melhor, a saúde preventiva é possível, vantajosa e muito mais barata

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