Erdogan diz que Macron está em “morte cerebral” após as críticas à intervenção na Síria

Turkish President Recep Tayyip Erdogan addresses a meeting of provincial election officials at the headquarters of his ruling Justice and Development (AK) Party in Ankara on January 29, 2019. (Photo by Adem ALTAN / AFP) (Photo credit should read ADEM ALTAN/AFP/Getty Images)

O Presidente turco acusou o Presidente francês de estar “em estado de morte cerebral”. Macron tinha usado a mesma expressão em relação à NATO após a ofensiva militar contra a milícia curda na Síria

Presidente turco Recep Tayyip Erdogan emitiu ontem Sexta-feira fortes críticas ao seu homólogo francês Emmanuel Macron, ao considerá-lo “em estado de morte cerebral”, exacerbando as tensões a uma semana de uma cimeira crucial da NATO. “A partir da Turquia dirijo-me ao Presidente francês Emmanuel Macron e voltarei a dizê-lo na NATO. Examina em primeiro lugar a tua própria morte cerebral”, disse Erodgan ao retomar as declarações de Macron que considerou a NATO em estado de “morte cerebral”.

No início de Novembro, em entrevista à revista semanal britânica The Economist, o Presidente francês definiu a NATO em estado de “morte cerebral”, uma declaração que abalou a aliança militar. Na sua declaração, Macron lamentou a ausência de coordenação entre os Estados Unidos e a Euro pa e o comportamento unilateral da Turquia — membro da Aliança Atlântica — na Síria, na sequência da ofensiva militar contra uma milícia curda apoiada pelos países ocidentais.

“Estas declarações apenas se aplicam a pessoas do teu género que estão em estado de morte cerebral”, insistiu o Presidente turco durante um discurso em Istambul. As observações de Erdogan reforçam as tensões entre a Turquia e a NATO antes da cimeira crucial da Aliança em Londres agendada para a próxima semana. Erdogan e Macron, e ainda a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, deverão reunir-se à margem da reunião para abordar a situação na Síria. Os países ocidentais criticaram a mais recente intervenção militar na Síria contras as milícias curdas da Unidade de Protecção Popular (YPG), que a Turquia considera uma formação “terrorista”. Neste âmbito, Macron considerou na entrevista ao The Economist que esta acção unilateral se incluía entre os sintomas de “morte cerebral” da NATO.

As críticas incisivas da França à Turquia suscitaram uma reacção imediata dos dirigentes turcos, que nas últimas semanas têm acusado Paris de pretender implantar um “Estado terrorista” no norte da Síria. “Ninguém te presta atenção. Ainda possuis um lado amador, começa por remediar isso”, sugeriu ainda Erdogan numa referência a Macron. “Quando se trata de fanfarronice, sabes fazê-lo. Mas quando se trata de enviar à NATO o didinheiro que lhe deves, é outra coisa”, acrescentou. “É tão inexperiente! Não sabe o que é a luta anti-terrorista, é por isso que os coletes amarelos invadiram a França”, prosseguiu. “Podeis gesticular quando quiserdes, mas acabareis por reconhecer a legitimidade da nossa luta contra o terrorismo”, vincou.

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