Um dia para reflectir e parar

Ao comemorar, hoje, o Dia Mundial da Luta contra a SIDA, Angola deveria observar um pacto de seriedade e responsabilidade, para que toda a gente reflectisse sobre o seu papel no problema. Aqueles que realmente lutam contra a pandemia e aqueles que fingem, ou até os que se aproveitam desta luta para benefício pessoal. Aqueles que infectam dolosamente outras pessoas e aqueles que incentivam a infecção, de forma dolosa também, por razão de que estão perfeitamente conscientes do que fazem e do que ganham. Para o dia de hoje, o Governo e associações de luta contra a SIDA deveriam sentir-se indignados com algumas igrejas e trazê-las à razão. Se preciso de forma coerciva. É Domingo, dia de missa ou de culto, dia de igreja, certamente que alguns pastores soltarão a voz para dizer que fazem milagres que curam a SIDA. E não faltarão infelizes a dar o seu testemunho. O dia de hoje deveria servir só para se dizer a verdade sobre a doença, para transmitir esperança e respeito por quem está infectado. Há tratamento, pode-se prolongar a vida por décadas, o estigma e o preconceito não são necessários, a felicidade constrói-se com outros materiais. Se houver pastores com consciência e amor ao próximo, que não usem a SIDA, hoje pelo menos, para as suas aldrabices. E, já agora, passe o pleonasmo, o Estado deveria reservar uns metros nas prisões para quem disser que esta doença se cura com água.

error: Content is protected !!