Bancos fogem do financianciamento à cafeicultura no Amboim

Em entrevista exclusiva a OPAÍS, na cidade da Gabela, o administrador municipal, Francisco Manuel Mateus, disse que uma das grandes preocupações no que se refere à cultura de café é o facto de os bancos não aceitarem financiar este tipo de agricultura. Por outra, considera que a criação de um fundo do café vai ajudar bastante na estabilização económica e alavancar o seu município

Por:Maria Teixeira , enviada a Gabela (Cuanza-Sul)

No passado, o café ocupou um lugar de destaque na economia de Angola, tendo sido considerado como o principal produto de exportação, atingindo elevadas quantidades e posicionando o país na posição de 3º maior produtor a nível mundial em 1974. Dentre as principais províncias produtoras de café destacase o Cuanza-Sul, com produções acima de 40 mil toneladas de café/ ano, particularmente no município de Amboim, mas a guerra que assolou o país reduziu drasticamente a produção. Em entrevista exclusiva a OPAÍS, o administrador municipal, Francisco Manuel Mateus, disse que a cultura do café contribui para o equilíbrio ambiental, pelo facto de esse tipo de agricultura exigir plantação de árvores, para além de gerar emprego aos jovens.

A grande dificuldade que têm é que não há receptividade por parte dos bancos, ou seja, os bancos não financiam esse tipo de cultura, pois preferem culturas rápidas como a do tomate, cebola, e que obviamente dão rendimentos rápidos. “A cultura do café demora a render uns três ou quatro anos e não há apetência por parte dos bancos. Essa é a grande luta. Por isso é que, junto do Instituto Nacional do Café, no primeiro fórum técnico que tivemos aqui na Gabela, ficou acordado que tinha que se pôr à disposição um fundo de apoio ao café”, explicou.

De acordo com o administrador do Amboim, a cultura de café robusto contribui para a preservação do meio ambiente, porque exige plantação de árvores. O café cresce debaixo de uma sombra. Por essa razão, acha que não se explica como, no ponto de vista ambiental, não há um apoio a este tipo de actividade que mantém o equilíbrio ecológico. “Os bancos preferem financiar aquele tipo de cultura que tem de desbravar o terreno.

Daí que temos estado a chamar a atenção do Ministério do Ambiente para ver esse território que faz um tipo de agricultura que exige plantação de árvores”, reforçou. Salientou que essa seria uma forma justa de compensar esses cafeicultores e fazendeiros que se dedicam a esse tipo de cultura, sob pena de começarmos a vêlos a cortar as árvores para poderem colocar outras culturas mais comerciais – as que os bancos tenham apetência de dar o crédito.

Francisco Manuel Mateus disse ainda que a ideia de se criar um fundo do café foi bem acolhida e está dentro das recomendações, tanto é que ficou-se de implementar fundos regionais, para a região Centro, com sede no município do Amboim, concretamente na cidade da Gabela. Aguarda-se a materialização. A principal cultura de referência era o café robusto Amboim, o melhor cotado no mercado internacional actualmente. Neste momento, devido à falta de financiamento sobretudo nas áreas que se dedicam à produção do café, o fabrico baixou consideravelmente. Ao baixar consideravelmente deixou de empregar o pessoal de maneira a que estes indivíduos, que dependiam inteiramente da agricultura das grandes fazendas de café, caíram no desemprego.

Fazendas estão a ser divididas em pequenas parcelas

Para o responsável, a outra grande luta é de entrar na diversificação, não depender muito da cultura do café, e sim lançar outras culturas na área da fruticultura e com essa aposta pensam em diminuir o desemprego que assola os jovens das redondezas. “Neste preciso momento nós estamos a redimensionar as fazendas (voltar a dividir), porque houve um processo de redimensionamento em que as pessoas, mesmo não tendo capacidade ficaram com as fazendas e, hoje, estamos a ver que elas não têm capacidade para gerir”, contou.

Ao partirem para o redimensionamento, estarão a dividir 500 hectares, por exemplo, por cinco cidadãos para que cada um venha gerir 100 hectares de terra. O administrador espera, com isso, dar a possibilidade de gerir melhor a terra e, ao invés de darem a um individuo cinco a 10 mil hectares e depois ele só utilizar 10 ou 50 hectares, algo que se observa um pouco por todo o país. “Precisamos de rever e fazer melhor a redistribuição dessas fazendas e pôr mais gente a trabalhar. Ali, conseguiremos absorver uma grande parte dos cidadãos que estão à procura de emprego”, disse.

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