da ÉTiCA

Kâmia Madeira

Comecei o fim-de-semana com três perguntas impactantes: És uma pessoa ética? Trabalhas numa instituição ética? Vives num país ético? A plateia que assistia à sessão de formação respondeu com convicção às duas primeiras questões e emudeceu quando se chegou à última, isto é um sinal preocupante para o qual não se pode olhar de forma leviana. Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa a ética é um conjunto de regras de conduta de um indivíduo ou grupo, acrescentamos que tem como base os seus valores crenças e cultura. Ora quando verifi camos que a percepção das pessoas é a de que não vivemos num país ético, faz todo o sentido os ecos de que existe a necessidade de moralização da sociedade, mas será que apenas isso é sufi ciente? Quando fomos desafi ados para a resolução do exercício prático a ética dos formandos foi mais uma vez testada, era um caso complicado em que uma das hipóteses de resolução envolvia suborno, com as devidas ressalvas de que as respostas eram anónimas tente caro leitor adivinhar que solução granjeou mais votantes… E é aqui que começa o busílis da questão, sou uma pessoa ética mas confrontada com determinadas situações será que agirei como tal? Quando nos propomos a combater a corrupção temos consciência que é algo endémico que grassa todos os extratos sociais e que o seu combate começa com uma percepção clara da moral e dos valores. Há alguns anos ouvi dois exemplos do professorJosé Octávio Van-Dunem, que nos mostram como encaramos questões éticas, o primeiro fazia referência à forma como estão as relações familiares, contava o professor que antigamente quando chegávamos a casa com um lápis que não era nosso os nossos pais pediam-nos para que o devolvessemos no dia seguinte e que hoje os nossos adolescentes exibem sinais exteriores de riqueza e que nós pais não os questionamos até com medo de saber as respostas…. O segundo exemplo é o de um conjunto de colegas da faculdade cada um em ramos diferentes mas que decide abrir um negócio e que vai usufruir de vantagens pelas suas funções profi ssionais… Pensará o leitor mas é errado que eu tenha um amigo no banco e que precise de crédito e que ele me ajude e que para que o faça eu proponho sociedade? Lamento desiludi-lo caso ainda tenha dúvidas, mas é errado… São dois exemplos triviais mas que nos devem deixar a pensar, pois se o polícia que sabe que deve combater o suborno é o primeiro a parar automobilistas e não os autua mas anda às voltas com os documentos esperando que a pressa os faça sugerir bonifi cações age de forma corrupta também o faz a enfermeira que pede dinheiro para que possas ser atendido primeiro ou o funcionário da repartição fi scal que não tem o formulário, mas que nos indica onde o comprar à porta da mesma repartição… Como moralizar uma sociedade se é algo tão profundo como a espera do familiar do político que aguarda que chegue a um lugar de destaque para melhorar a condição de vida. Como moralizar uma sociedade se são os exemplos mais do que as palavras que educam… Onde pára a responsabilização? Não só de quem governa mas também de quem é governado, porque devemos denunciar e exigir sanções, pois se o fi zermos talvez se entenda que quem tem responsabilidades acrescidas está para servir e não para enriquecer. Refl icta o leitor é uma pessoa ética?

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