uma palavra, um sonho, um pilar estruturante.

A memória é cimento importante para as organizações se manterem. Temos em Angola alguns exemplos que podem atestar a afi rmação. Olhemos para os nossos partidos políticos e as suas histórias, as histórias das suas fi guras também. O MPLA, apesar das actuais turbulências, mantém-se no portentado que é alicerçado na sua história. Toda a gente sabe ou já ouviu falar algures do MIA, do MINA, organizações que o antecederam. Há memória dos seus líderes e das suas obras ou discursos. Os nomes estão aí, são até estudados. Agostinho Neto é facilmente lembrado pela proclamação da Independência Nacional e também pelo “O mais importante é resolver os problemas do povo”, além de toda a poesia que escreveu. Na UNITA, Savimbi “vive” no seu “Primeiro o angolano, segundo o angolano, terceiro o angolano. O angolano sempre”. Quer Neto, quer Savimbi, disseram coisas que ainda hoje guiam os seus seguidores e continuarão a guiar. Mas as suas palavras ecoam no tempo também porque os seus partidos se agarram a elas como mensagens e elos que lhes dão solidez, uma espécie do porquê da sua existência, uma senha com que se dirigem ao povo, uma promessa, uma razão. E sabem que se as deixarem cair eles caem também. Deixa de fazer sentido a sua existência como forças políticas. No outro extremo temos os casos da FNLA, do PRS da CASA-CE. Alguém se lembra, ainda agora de algum discurso que seja repetido pela CASA-CE feito pelo seu “fundador” Chivukuvuku? Alguém se lembra de uma frase arrebatadora de Eduardo Kuangana do PRS, ou dele mesmo? Lucas Ngonda, na FNLA, começou a destruir o partido no momento em que começou a destruir o seu líder fundador, Holden Roberto. Não se sabe dos nomes de companheiros de jornada de Holden, ou poucos sabem, sobretudo entre os jovens. Ele pensou? Escreveu? Disse alguma coisa, em algum momento, que alimente a vida do partido? Se disse, Ngonda enterrou, não fi cou memória, não fi cou referência, não fi cou razão para que a FNLA continue a existir, não inspira. Neste tipo de organizações, matar o passado é só mergulhar no fracasso. E para as nações é a mesma coisa.

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