Cuanza-Sul é a província mais atingida por casos de poliomielite

As autoridades dizem que as campanhas ainda são assombradas por casos de pais que rejeitam vacinar os filhos por alegados aspectos culturais, religiosos e falta de informação. Um total de 49 casos estão confirmados em Angola

Por:Milton Manaça

Dos 49 casos de poliomielite em todo o país, 10 foram registados na província do Cuanza-Sul e as crianças do município de Cassongue são as mais afectadas, de acordo com Alda Morais, coordenadora Nacional do Programa Alargado de Vacinação (PAV), num encontro com jornalistas de diferentes órgãos de comunicação social realizado ontem, em Luanda. A falta de cobertura vacinal no Cassongue foi apontada como a principal causa, fazendo com que as crianças se tornem suscetível a contrair a paralisia infantil. Terá sido de Cassongue que o vírus entrou, disseminando-se para o resto da província. “É uma área em que as campanhas de vacinação de rotina são muito baixas, para não dizermos que não existia”, acrescentou Alda Morais, coordenadora Nacional do PAV.

A responsável disse que a última campanha feita em Cassongue resultou em indicadores positivos e garantiu que já não haverá problemas maiores nos próximos anos, com a aposta que se vai fazer na vacinação injectável de pólio. Angola começou a assumir a compra de medicamentos para a erradicação da doença desde 2003 e em 2019, por exemplo, o Executivo desembolsou 18 milhões de dólares só para a vacinação de rotina.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a cobertura vacinal chegue aos 90 ou 95 por cento. Mas os dados de Angola têm rondado os 70 ou 80 por cento da meta estipulada. As autoridades queixam-se do comportamento de alguns pais e encarregados de educação por rejeitarem que os filhos sejam vacinados, por alegadas questões culturais, dizendo que as vacinas causam outras doenças. Algumas mães dizem que a religião não permite que se faça vacinação ou que se permitirem terão problemas, segundo Alda Morais. A falta de informação é apontada como principal factor do comportamento de muitos pais, daí que se solicitou maior sensibilização para o cumprimento do calendário anual de vacinação de rotina para crianças menores de um ano.

OMS diz ser falsa informação das redes sociais

O encontro, ontem, serviu também para desmentir uma informação veiculada por alguns órgãos de comunicação social e difundida nas redes sociais, segundo a qual a OMS colocou Angola na lista de países com casos de poliomielite com origem na vacina. Aliás, o representante da OMS em Angola Hernando Agudelo, que também participou no encontro, disse que tal informação não é da autoria da sua organização, não sendo, portanto, credível. Nas campanhas promovidas pelo Governo foram vacinadas até agora cerca de 4.5 milhões de crianças, em 15 das 18 províncias do país, e Hernando Agudelo disse que a OMS vai continuar a apoiar os esforços do Governo angolano para acabar com esta doença.

“A campanha de vacinação contra a poliomielite que o Governo angolano está a liderar é fundamental para controlar o surto de poliomielite. Todos nós, em conjunto, devemos trabalhar para sensibilizar as nossas famílias e comunidades para a necessidade de vacinar todas as crianças”, disse Hernando Agudelo. Angola já tem controlada a poliomielite do tipo 1 e 3 e o Executivo diz estar a fazer esforços para controlar também o tipo 2.

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