Perto de 40 mil pessoas com teste positivo de VIH/SIDA este ano

De Janeiro a Setembro deste ano, o programa de VIH/SIDA testou mais de um milhão e 300 pessoas, destes 39.075 deram positivo, com uma taxa de 2,98 por cento, segundo o secretário de Estado da Saúde Pública, Franco Mufinda

Por:Maria Teixeira

Conselho de Igrejas Cristãs de Angola (CICA), em parceria com a J.C. Flowers Foudation, realizou ontem, em Luanda, numa unidade hoteleira, um encontro um encontro de reflexão com as entidades religiosas nacionais e internacionais. O encontro teve como objectivo imperioso, o envolvimento da liderança religiosa e das igrejas na prevenção da transmissão do VIH e SIDA pelo facto de reconhecerem que não só a malária constitui um problema para sobrevivência das crianças, mas também o VIH/SIDA. Por outro lado, mobilizar todos os angolanos a tomar medidas, a fim de eliminar a malária no país, de uma vez por todas, bem como garantir uma geração livre do VIH.

O secretário de Estado da Saúde Pública, Franco Mufinda, disse que mais de nove mil mulheres fizeram o corte vertical nos últimos seis meses e foram testadas acima de 500 mil mulheres, destas, oito mil e 264 foram positivas. Ainda nesta senda, um total de 2.386 crianças tiveram testes positivos. “Temos o programa de corte vertical em todo o país que controla, de Janeiro a Setembro, acima de nove mil mulheres. Estamos a acompanhar mais de 100 mil pessoas no tratamento anti-retroviral”, disse.

Com o trabalho do corte vertical, inserido na campanha “Nascer Livre Para Brilhar”, uma campanha lançada pela Primeira-dama da República, Ana Dias Lourenço, em Dezembro de 2018, reduziu-se o índice de transmissão do VIH da mãe para filho em Angola. “Infelizmente, na transmissão de mãe para filho temos uma prevalência maior, que está à volta de 26 por cento. A intenção do Governo é até 2022 baixar esta taxa para 14 por cento”, disse. Segundo Franco Mufi nda, o quadro epidemiológico do país com respeito ao VIH/SIDA baseando- se nos Indicadores múltiplos da Saúde 2016 a prevalência é de dois por cento, uma das mais baixas da SADC e a sua distribuição é desigual, sendo a mais alta na província do Cunene, com 6.1 por cento e a mais baixa em Cabinda.

Reduzir a taxa de transmissão de mãe para filho de até 2022

O Instituto Nacional de Luta contra a SIDA é um órgão autónomo financeiramente, de modo que o orçamento geral agrega verbas para o seu funcionamento. De acordo com Franco Mufi nda, “infelizmente, na transmissão de mãe para fi lho temos uma prevalência maior, que está em volta de 26 por cento, mas a intenção do Governo é que até 2022 baixe para 14 por cento”. Quanto aos insumos, o responsável fez saber que o Governo angolano paga 70 por cento dos anti-retrovirais, testes rápidos, e outros medicamentos, sendo que os outros 30 são da responsabilidade do Fundo Global.

Concernente à malária, explica que no nosso país ainda há bastantes desafios quando comparado com os demais países da região e o trabalho deve ser maior. “Temos registado uma queda de casos de malária que terminam em óbito, o que é bom, pelo que vamos continuar a trabalhar tanto no acesso primário aos cuidados de saúde, na prevenção, no recurso a pulverização e no uso da rede mosquiteira”, salientou. Por essa razão, estão a colocar também os ADECOS (Agentes de Desenvolvimento Comunitário) a nível das comunidades para fazerem o tratamento simples da malária, e contam com a ajuda das igrejas.

Igrejas intensificam parceria com o MINSA no combate as doenças

Por sua vez, a secretária-geral do CICA, Deolinda Tecas, disse que a igreja esteve sempre envolvida em três grandes sectores, que são a educação (que inclui a formação e a instrução da palavra de Deus), a saúde e o sector social. “As igrejas têm estado a trabalhar fortemente na mobilização, sensibilização e educação para prevenção da saúde. Embora consideramos que o trabalho ainda não é sufi ciente”, frisou.

Em declarações à imprensa, a responsável explicou que o encontro serve “para juntos refl ectirem sobre o combate à malária, uma doença que tem dizimado muita gente, para além do VIH/SIDA”. Dados mostram que só em 2018 oito mil e 900 crianças angolanas morreram de malária e apenas 38 por cento das mulheres grávidas que vivem com VIH tomaram medicamentos antirretrovirais, para precaver a transmissão do vírus para seu bebé. Fez saber que desde 2017 que o CICA tem trabalhado com a Flowers Foudation, uma cooperação que surgiu graças ao envolvimento da Igreja Anglicana em Angola. “Sendo um país com 18 províncias e com 164 municípios, precisamos de sinergias, porque não é só a malária que dizima, o VIH também tem estado a levar muita gente prematuramente”, disse.

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