Língua Nacional pode ser ministrada em 2020 no Campus São Miguel, em São Paulo

Língua Nacional pode ser ministrada em 2020 no Campus São Miguel, em São Paulo

O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) denominado Campus São Miguel, no Brasil, pretende criar um Centro de Estudos de Línguas Africanas, com maior ênfase para as línguas nacionais angolanas, em colaboração com a Associação Angolana de Antropólogos. A informação foi avançada pelo coordenador das Actividades Extra-curriculares daquela instituição brasileira, Leonardo Alves Carvalho, durante uma palestra sobre “O contributo do Kimbundu na língua espanhola, inglesa e portuguesa”, realizada em Novembro pelo antropólogo angolano Isaías de Lemos.

Durante a palestra que contou com a presença de centenas de alunos, entre os quais grupos de afrodescendentes, Isaías de Lemos, que também é vice-presidente da Associação Angolana de Antropólogos, falou da origem das Línguas Africanas, suas estruturas, etimologia, contexto social, cultural e da dimensão antropológica no contexto universal. Esta foi, por sinal, a primeira actividade do género realizada naquela instituição.

O antropólogo, durante a sua explanação, exemplificou cerca de 40 palavras do dialecto Kimbundu, usadas nas Línguas Portuguesa, Espanhola e Inglesa. Sem avançar datas, o antropólogo disse que no próximo ano, em Abril, provavelmente, numa primeira fase será elaborado um currículo onde ficarão incluídas aulas de Kimbundu naquela instituição académica. Isaías considerou a iniciativa positiva, pelo facto de observar que os afrodescendentes conhecem algumas palavras deste dialecto, porém, desconhecem a sua origem.

“A ligação entre os dois povos (Angola e Brasil), remonta aos tempos em que os colonos portugueses implementaram o comércio triangular. Milhares de descendentes de língua Kimbundu e outras africanas foram arrancados dos seus convívios familiares e levados para o continente americano.

Com eles, os hábitos e costumes seguiram e penetraram na língua e cultura dos povos deste continente”, clarificou o antropólogo. Durante a sua explanação, Isaías de Lemos fez saber que muitos afrodescendentes brasileiros sentiram-se como pertença da língua angolana Kimbundu, onde afirmaram que os seus ancestrais pertenciam aos grupos étnicos Bakongo ou Ambundu. Por essa razão, enquadravam algumas palavras no seu vocabulário na Língua Portuguesa.

O antropólogo lembrou que, durante a escrita das línguas Bantu faladas em Angola, não é correcto utilizarem-se os dígrafos e a apóstrofe, porque com essa ocorrência perde o seu contexto sócio-cultural, histórico e linguístico.

Deu, igualmente, a entender que África é um continente que integra vários países, incluindo Angola. “Por norma, quando querem falar de África, referem-se como se tratasse de um país, mas não de um continente como é o caso. Então, tive de explicar a sua origem, e, que além desta componente existem outras línguas regionais, como o Kikongo, Tckokwé, Umbundu e Ngangela e tantas outras, explicou.

Por sua vez, Leonardo Alves Carvalho, depois da palestra mostrou-se satisfeito e sensibilizado, tendo reconhecido o contributo dado pelas línguas africanas na afirmação do português falado no Brasil. Por isso, o responsável achou oportuno efectuar esta troca de experiências com falantes de línguas africanas. Neste âmbito, será assinado no princípio do próximo ano, um protocolo de parceria entre a Associação Angolana de Antropólogos e a referida Universidade, com o objectivo de efectivar a troca de conhecimentos, informação, estágio para professores e pesquisas conjuntas.