Retratos de Nguxi dos Santos e Djelsa Ariana em destaque na 8ª Edição Vidrul Fotografia 2019, em Luanda

Retratos de Nguxi dos Santos e Djelsa Ariana em destaque na 8ª Edição Vidrul Fotografia 2019, em Luanda

Com as obras, “A Triste Realidade dos Moradores de Rua” e “O Efémero do Tempo”, os artistas, Nguxi dos Santos e Djelsa Ariana, juntamse a partir desta Sexta-feira, na 8ª Edição Vidrul Fotografia 2019, no Espaço Luanda Arte, evento que se prolongará até 25 de Dezembro. As propostas dos dois fotógrafos foram escolhidas por entre dezenas de candidatos, motivo de orgulho desta plataforma. Abordado por OPAÍS, o produtor e curador da AM-Arte, Dominick Tanner, enalteceu o empenho e o grau de responsabilidade que os dois artistas têm mostrado para que a Fotografia em Angola floresça e possa vir a ser, no futuro, uma referência não somente em África, mas em todo o mundo.

Dois fotógrafos angolanos, que no seu entender, são actores sociais que, entre outros aspectos, instrumentalizam o olhar recortando realidades estéticas num campo de percepção particular tornado público. Nestas duas exposições, a fotografia e a identidade tornam-se cada vez mais unidas, tecendo renovadas memórias, numa constante documentação, afirmação e celebração de angolanidade.

As obras na colecção

“A Triste Realidade dos Moradores de Rua”, de Nguxi dos Santos, é possível observar e compreender que a cena é comum, muitas vezes triste e constrangedora. O autor refere que a primeira sensação que se tem destes retratos é de medo e de susto, razão pela qual procurou evitar qualquer contacto temendo alguma agressão. “Ouvimos e lemos histórias que nos contam, e nos enchem de medo, e até de pavor, relacionadas a essas pessoas que vivem nas ruas ou praças e dormem sob pontes ou marquises. Por isso, tratamos sempre de evitá-las”, disse.

Já a criação de Djelsa Ariana, com o título “O Efémero do Tempo”, reunindo um conjunto de imagens registadas na Baixa de Luanda, realça a diversidade com detalhes que espelham a degradação de algumas infra-estruturas antigas e como se integra a presença do “novo” que se ergue. O contexto de degradação e o semblante de abandono evidenciados nas imagens, segundo a artista, tem a intenção de remeter a perspectiva de como tudo pode ser efémero e o papel do tempo nesse processo.