Não vejo a valorização do capital humano angolano como prometeu o PR

Infelizmente, mesmo com a nova governação continuamos a assistir à desvalorização do capital humano angolano. A promessa do Exmo. Senhor Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço de que iria se valorizar o capital humano angolano pela competência caiu no descrédito e não passou de discurso eleitoralista, sendo que nem as instituições públicas alinharam-se a este paradigma.

Observemos apenas alguns pontos:

1 º- Continua a assistir-se que a maioria dos consultores e empresas de consultoria nas instituições públicas são estrangeiros. O Estado já parou para fazer o cálculo e ver o quanto deve e está a endividar-se para poder pagar os mesmos, sendo que os seus orçamentos são em dólares…eu próprio não acredito que não temos técnicos capazes, mas sim que não se valoriza, acredita e incentivam os mesmos (“Eu sou capaz como milhares de angolanos”). Sabiam que quando assinam contratos com estas empresas/técnicos, os mesmos vêm terceirizar-nos os trabalhos ou procuram cá técnicos que os façam? Sei que sabem disto, sei sim…

2 º- O Gabinete de Gestão do Programa Espacial Angolano (GGPEN) no dia 15 de Novembro trouxe técnicos estrangeiros para poderem processar imagens de satélite de forma a avaliar a situação da seca em Angola e, no Jornal de Angola do mesmo dia, é dito que não podem ainda divulgar o valor da pesquisa que os mesmos irão fazer, pois tem custos onerosos.

A pergunta que se coloca é a seguinte: ocontactou os Serviços de Protecção Civil e Bombeiros para saber o que já têm feito no Cunene? Porque o GGPEN foi buscar 5 técnicos estrangeiros (japonês, americano, sul-africano e outros dois, cujas nacionalidades não me recordo agora), dando um ponta-pé na rectaguarda dos nacionais? Se o projecto com os estrangeiros é oneroso porque não trabalhar com nacionais? Importa salientar aqui que existem centenas de técnicos nacionais que processam imagens de satélites e com competência para tal.

Observem que há anos que a Universidade Agostinho Neto forma engenheiros geógrafos e estes têm no seu curriculum a cadeira de detecção remota (cadeira que trata dos satélites de observação da terra e interpretação das imagens fornecidas por eles), a UMA (Universidade Metodista de Angola) os seus estudantes do curso de Ambiente e Gestão do Território têm a cadeira de Ecologia da Paisagem, na Universidade Metropolitana no curso de Planeamento Regional e Urbano têm a cadeira de Geo-estatística e Análise de Dados, a UTANGA (Universidade técnica de Angola) no curso de Engenharia Ambiental há a cadeira de amostragem e métodos de análise ambiental, mencionei aqui uma disciplina em cada curso. Existem outras universidades e inclusive centros de formação que ensinam a processar dados de satélite. A pergunta é: por que razão o GGPEN não foi procurar técnicos capazes no nosso mercado para trabalharem na pesquisa? Prefere-se gastar os dólares, que estamos na luta para os conseguir, do que pagar-nos em Kwanzas? Continua a questão da propina nas instituições públicas e se trabalharem connosco encaixam pouco nos bolsos?

O caso do GGPEN não é um caso isolado, basta dar um giro pelas instituições públicas para saber onde vai o budget das formações e pesquisas… E como vamos desencorajar os jovens a não migrar se aqui não são valorizados? Obs:Adjany Costa foi reconhecida no estrangeiro, primeiro, e só depois o nosso PR decidiu condecorá-la. Até quando África, até quando Angola?

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