René Tavares recria conflito medieval entre cortes de Carlos Magno e de Marquês de Mântua no Espaço Luanda Arte

De São tomé e Príncipe para Angola, René tavares brindanos com um conjunto de obras da prestigiada Série tchiloli Family, uma colecção inspirada numa herança renascentista reinventada pelo povo de São tomé e Príncipe, no teatro português e francês, e desde então tornaram-se um símbolo de resistência ao antigo domínio colonial português

A mostra inaugurada ontem no ELA – Espaço Luanda Arte, marca a 8ª Edição da Plataforma de Fotografia VIDRUL 2019. É uma performance cultural tradicional no Arquipélago de São Tomé e Príncipe, que consiste na recriação teatral do conflito medieval entre as cortes de Carlos Magno e de Marquês de Mântua, desde então actualizada para incluir outras personagens, numa sátira em torno de posições de hierarquia social, política e religiosa. Atenta à referida criação, a professora Ana Nolasco considera esta exposição uma celebração de um mundo fragmentado, que não sucumbe ao poder de uma voz que se submete e unifica. É, no seu entender, a existência dessas muitas verdades parceladas que garantem a possibilidade de renovação da humanidade.

O artista que traduz em traços, linhas e manchas, uma síntese pessoal da sua própria identidade, sempre em processo (“inacabada”). Interessado em aprofundar a permeabilidade das fronteiras entre histórias, memórias, linguagens e técnicas, buscando compartilhar esse caminho exploratório, René estabelece um processo multilinguagem, tendo como parâmetro as suas necessidades expressivas. As suas obras já estiveram expostas em espaços e eventos como: Afro Our Urban (EUA), El Puevo Resistente (Venezuela), Theatre National le Chaillot (France), ArtVisie Gallery (Holanda), Museu da Cidade (Portugal), Venice Architecture Biennale (Itália), Bienais de Arte de São Tomé e Príncipe, entre outros. Ainda no quadro desta 8ª

Edição Vidrul Fotografia 2019, juntam-se também no mesmo recinto com uma exposição colectiva, os fotógrafos angolanos Nguxi dos Santos e Djelsa Ariana.
A primeira, com as impressões digitais de Nguxi dos Santos, intitula-se “A Triste Realidade dos Moradores de Rua”, que sob o olhar atento levará o espectador a observar a sua essência e compreender que a cena é comum, muitas vezes triste e constrangedora.

A primeira sensação que se tem da mesma é a forma como as imagens foram capturadas nos diferentes pontos de Luanda, o que levou o autor a evitar qualquer contacto com as figuras nela envolvidas, temendo alguma agressão. Já em relação à colecção “O Efémero do Tempo”, de Djelsa Ariana, que, por sinal, é constituída por um conjunto de imagens registadas na Baixa de Luanda, o leitor atento poderá observar a diversidade com detalhes que espelham a degradação de algumas infra-estruturas antigas e como se integra a presença do “novo” que se ergue.

 

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