Democratas passam fim de semana a elaborar acusações de impeachment contra Trump

Mandatory Credit: Photo by Evan Vucci/AP/REX/Shutterstock (9896574k) President Donald Trump listens as he meets with Japanese Prime Minister Shinzo Abe at the Lotte New York Palace hotel during the United Nations General Assembly, in New York Trump, New York, USA - 26 Sep 2018

Os democratas na Câmara dos Deputados dos EUA passarão o fim de semana no Capitólio, preparando-se para o que poderia ser a última semana do seu inquérito de impeachment de meses, que ameaça a presidência de Donald Trump.

Os parlamentares democratas do Comité Judiciário da Câmara devem reunir-se no Sábado e Domingo à porta fechada para examinar evidências contra o presidente republicano e elaborar acusações formais, conhecidas como artigos de impeachment, que o painel poderia recomendar para uma votação completa na Câmara ainda nesta Quinta-feira. Na Sexta-feira, a Casa Branca disse ao presidente do comité, Jerrold Nadler, que não participaria nas audiências do painel e condenou a investigação como “completamente infundada”.

Nadler expressou a decepção numa declaração: “O povo americano merece respostas do presidente Trump”. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, ordenou que o comité elabore as acusações na Quinta-feira, após semanas de investigação do pedido de Trump de que a Ucrânia investigue o ex-vice-presidente Joe Biden, um dos principais candidatos à nomeação democrata para enfrentar o presidente nas eleições de 2020 nos EUA.

A aprovação de acusações formais na Câmara, liderada pelos democratas e agora vista como quase certa, levaria a um julgamento no Senado sobre a destituição de Trump do cargo. Os republicanos que controlam o Senado mostraram poucos sinais de apoio à remoção de Trump. Enquanto Trump se recusou a cooperar com a investigação da Câmara, deixou claro que os seus advogados farão uma defesa num julgamento no Senado, onde ele acredita que prevalecerá. O Comité Judiciário está focado em dois possíveis artigos de impeachment que acusam o presidente de abuso de poder nos seus negócios com a Ucrânia e obstrução do Congresso por se recusar a cooperar com os comités de investigação.

Os democratas também precisam de resolver a questão de redigir um terceiro artigo, alegando obstrução da justiça com base no relatório do ex-conselheiro especial Robert Mueller sobre a investigação federal de interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. “Isso é algo que vamos decidir neste fim de semana”, disse a representante Debbie Mucarsel- Powell a repórteres na Sexta- feira. A investigação concentrouse numa ligação telefónica a 25 de Julho, na qual Trump pediu ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy para abrir uma investigação sobre Biden e seu filho Hunter, e numa teoria desacreditada promovida por Trump e seus aliados de que a Ucrânia, não a Rússia, se intrometeu na eleição de 2016.

Hunter Biden ingressou no conselho da empresa de energia ucraniana Burisma enquanto o seu pai era vice-presidente. Trump acusou os Biden de corrupção. Eles negaram irregularidades e as alegações não foram substanciadas. Os democratas também acusaram Trump de abusar do seu poder, retendo 391 milhões de dólares de ajuda à segurança da Ucrânia – um aliado vulnerável dos EUA que enfrenta agressões russas – e retendo uma cobiçada reunião da Casa Branca com Zelenskiy como alavanca para pressionar Kiev a investigar os Biden. O Comité Judiciário realizará uma audiência pública na Segunda- feira.

Os republicanos também pediram um dia inteiro de procedimentos para examinar as suas próprias evidências, incluindo um relatório de 110 páginas, dizendo que o inquérito não encontrou nenhuma evidência de uma ofensa impensável. Apresentaram também a sua própria lista de testemunhas solicitadas, incluindo Hunter Biden e o denunciante anónimo, cuja denúncia desencadeou o inquérito de impeachment. É improvável que Nadler os chame para testemunhar. Trump é o quarto presidente dos EUA a enfrentar processos de impeachment. Nenhum foi removido do cargo, embora Richard Nixon tenha renunciado ao enfrentar quase certo impeachment em 1974 devido ao escândalo de Watergate.

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