Democratas passam fim de semana a elaborar acusações de impeachment contra Trump

Os democratas na Câmara dos Deputados dos EUA passarão o fim de semana no Capitólio, preparando-se para o que poderia ser a última semana do seu inquérito de impeachment de meses, que ameaça a presidência de Donald Trump.

Os parlamentares democratas do Comité Judiciário da Câmara devem reunir-se no Sábado e Domingo à porta fechada para examinar evidências contra o presidente republicano e elaborar acusações formais, conhecidas como artigos de impeachment, que o painel poderia recomendar para uma votação completa na Câmara ainda nesta Quinta-feira. Na Sexta-feira, a Casa Branca disse ao presidente do comité, Jerrold Nadler, que não participaria nas audiências do painel e condenou a investigação como “completamente infundada”.

Nadler expressou a decepção numa declaração: “O povo americano merece respostas do presidente Trump”. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, ordenou que o comité elabore as acusações na Quinta-feira, após semanas de investigação do pedido de Trump de que a Ucrânia investigue o ex-vice-presidente Joe Biden, um dos principais candidatos à nomeação democrata para enfrentar o presidente nas eleições de 2020 nos EUA.

A aprovação de acusações formais na Câmara, liderada pelos democratas e agora vista como quase certa, levaria a um julgamento no Senado sobre a destituição de Trump do cargo. Os republicanos que controlam o Senado mostraram poucos sinais de apoio à remoção de Trump. Enquanto Trump se recusou a cooperar com a investigação da Câmara, deixou claro que os seus advogados farão uma defesa num julgamento no Senado, onde ele acredita que prevalecerá. O Comité Judiciário está focado em dois possíveis artigos de impeachment que acusam o presidente de abuso de poder nos seus negócios com a Ucrânia e obstrução do Congresso por se recusar a cooperar com os comités de investigação.

Os democratas também precisam de resolver a questão de redigir um terceiro artigo, alegando obstrução da justiça com base no relatório do ex-conselheiro especial Robert Mueller sobre a investigação federal de interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. “Isso é algo que vamos decidir neste fim de semana”, disse a representante Debbie Mucarsel- Powell a repórteres na Sexta- feira. A investigação concentrouse numa ligação telefónica a 25 de Julho, na qual Trump pediu ao presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy para abrir uma investigação sobre Biden e seu filho Hunter, e numa teoria desacreditada promovida por Trump e seus aliados de que a Ucrânia, não a Rússia, se intrometeu na eleição de 2016.

Hunter Biden ingressou no conselho da empresa de energia ucraniana Burisma enquanto o seu pai era vice-presidente. Trump acusou os Biden de corrupção. Eles negaram irregularidades e as alegações não foram substanciadas. Os democratas também acusaram Trump de abusar do seu poder, retendo 391 milhões de dólares de ajuda à segurança da Ucrânia – um aliado vulnerável dos EUA que enfrenta agressões russas – e retendo uma cobiçada reunião da Casa Branca com Zelenskiy como alavanca para pressionar Kiev a investigar os Biden. O Comité Judiciário realizará uma audiência pública na Segunda- feira.

Os republicanos também pediram um dia inteiro de procedimentos para examinar as suas próprias evidências, incluindo um relatório de 110 páginas, dizendo que o inquérito não encontrou nenhuma evidência de uma ofensa impensável. Apresentaram também a sua própria lista de testemunhas solicitadas, incluindo Hunter Biden e o denunciante anónimo, cuja denúncia desencadeou o inquérito de impeachment. É improvável que Nadler os chame para testemunhar. Trump é o quarto presidente dos EUA a enfrentar processos de impeachment. Nenhum foi removido do cargo, embora Richard Nixon tenha renunciado ao enfrentar quase certo impeachment em 1974 devido ao escândalo de Watergate.

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