Munícipes da Quilenda clamam pelo resgate da produção do óleo de palma

Munícipes da Quilenda clamam pelo resgate da produção do óleo de palma

O fraco aproveitamento dos frutos da palmeira para o fabrico de óleo de palma, constitui uma das principais preocupações do povo da Quilenda, um dos municípios da província do Cuanza-Sul que clamam pelo resgate da tradição, no âmbito da diversificação da economia do país

Por:Maria Teixeira enviada a Quilenda (Cuanza-Sul)

Potencialmente agrícola, os seus habitantes dedicam-se à cultura de diversos produtos, tais como o milho, o feijão, a mandioca, o ananás, a batata rena e doce, banana, amendoim, massambala, bem como o café e o palmar. Assim é a Quilenda- Em entrevistas exclusivas a OPAÍS, alguns munícipes desejaram relembrar a vontade de resgatar as tradições da cultura do famoso óleo de palma produzido nessa localidade do Cuanza-Sul, que era, no passado, a grande referência do município da Quilenda. Melo João Lucas, que sempre viveu nesse município, contou que no passado o óleo de palma era uma referência da sua localidade e que fazia parte da Cultura do seu povo, mas, por falta de financiamentos, já não se produz óleo de palma em grande escala.

“Nós temos clima favorável a esse tipo de plantação, apenas precisamos de apoio para reduzirmos as importações do óleo de palma e o nosso município, quiçá a província do Cuanza- Sul, vir a ser uma das principais produtoras deste produto”, disse. Segundo Melo João Lucas, a produção do óleo de palma agora é feita por pequenos produtores, sendo os municípios do Amboim e Quilenda os principais produtores da província do Cuanza-Sul. Quem partilha da mesma opinião é Graciano Manuel, que se mostrou insatisfeito com a queda do principal produto da região, que era o grande sustento de muitas família. Salientou que o Governo deveria apostar mesmo a sério no cultivo do palmar, devido à sua variação na alimentação do homem e na indústria, uma vez que serve para muitos fins. Conhecido também como dendém, o óleo de palma é um dos óleos vegetais mais consumidos no mundo, com as mais diversas aplicações na indústria, desde frituras industriais, chocolates, massas, margarinas, cremes vegetais, biscoitos, sorvetes, cosméticos, detergentes, sabões, entre outros.

Óleo de palma faz parte da vida quotidiana das pessoas

O óleo de palma faz parte da vida quotidiana sem que as pessoas saibam, já que frequentemente é colocado nos rótulos como óleo vegetal, tornando difícil a sua identificação nos produtos direccionados ao consumidor final. Uma de suas principais características é a alta produtividade. Um hectare de palmeira do dendém produz, em média, cinco toneladas de óleo, mas muitos desconhecem a sua importância. Por sua vez, o director municipal dos Registos e Reforma Administrativa do município da Quilenda, Eduardo Francisco, explicou que a Quilenda é um município que tem tradições fortes no óleo de palma, porque a área da Ludmila, no passado, desde o tempo colonial, foi explorada pela empresa CADA (Companhia de Desenvolvimento Agrícola) que tinha esse grande pólo de desenvolvimento.

Segundo o responsável, além de ser uma empresa angolana, tinha o apoio de uma empresa Belga, o que fez com que a CADA tivesse o nome o centro do fabrico do óleo de palma. “Havia várias plantações na CADA, no Cachombo, que era na parte do Dondo, província do Cuanza-Norte, a extração era feita aí em baixo no famoso palmeiral. É aí que era produzido um óleo que servia de exportação e de riqueza para o próprio país”, disse. Produção baixou por falta de apoio De acordo com Eduardo Francisco, neste momento a produção do óleo de palma baixou consideravelmente, por falta de alguns apoios. “Como sabem, a CADA dista 75 quilómetros daqui. O palmar praticamente secou por falta de tratamento e alguns apoios financeiros àqueles que queriam abraçar o desenvolvimento do cultivo do palmar, e, por isso, a produção baixou e passou a ser só um fabrico de auto-consumo”, contou.

Eduardo Francisco disse ainda que o município tem algum desenvolvimento agrícola, mesmo não atingindo o seu auge devido a vários problemas, ou seja, os acessos às áreas rurais também têm dificultado os planos agrícolas. Por outro lado, os camponeses ou pequenos grupos familiares que dão o grande desenvolvimento ao município não se concentram para o bem-estar desta localidade e o produto que eles conseguem colher não dá para a auto-sustentação, por vários motivos.

Referiu que desde há um certo tempo, o seu município andou no anonimato devido à falta de acesso condigno, uma vez que os 30 quilómetros que separavam o município do Amboim da sede da Quilenda eram feitos em duas horas e 45 minutos e hoje, com o tapete asfáltico, é feito em 25 minutos. “Só para verem a reviravolta que isso trouxe para o benefício dos munícipes e daqueles que querem nos visitar.

Hoje já não nos queixamos dos acessos e os munícipes, e não só, começaram a descobrir que é um município que já não está no anonimato. Os maus acessos é que dificultaram que ele saísse do anonimato e fosse descoberto, e hoje é um lugar onde é muito aprazível viver”, disse. Contudo, a palmeira do dendém e o consumo do óleo de palma têm conhecido nos últimos tempos um crescimento notável no mundo, devido à sua versatilidade na alimentação humana e na indústria. Pelo facto de a região possuir condições climatéricas favoráveis, os munícipes lamentam a opção dos camponeses pelas culturas de rendimento imediato, no caso particular dos derivados da palmeira, como o marufo, uma bebida tradicional e muito conhecida.