Georges Chikoti prioriza regularização das cotas do Grupo ACP

O secretário-geral eleito do Grupo ACP, Georges Chikoti, definiu a regularização das contribuições financeiras dos Estadosmembros como prioridade do seu mandato (2020-2025), segundo a Angop

Na sua primeira declaração à imprensa, após ter vencido, no Sábado, a eleição para o cargo, o diplomata angolano criticou o calote dos países da organização, sobretudo os que têm uma taxa de contribuição baixa. “…Por exemplo, os caribenhos pagam as suas cotas, os pacíficos pagam, os africanos é que têm esse problema no orçamento da União Africana e do ACP” – disse o embaixador, citado pela Angop.

Explicou que, para o orçamento, o engajamento era de 60 porcento para União Europeia e os ACP a outra parte, mas os pequenos contribuintes não pagam. O orçamento do ACP aprovado para 2020 é de 15 milhões de euros. Deu a conhecer que, incompreensivelmente, os maiores contri buintes (Angola dá anualmente 350 mil euros, a África do Sul 450 mil euros, a Nigéria 500 mil euros e a República Dominicana 400 mil euros) não têm atrasos, mas os que tem uma taxa baixa, por exemplo 10 mil euros anuais, não pagam. Para si, há um problema, alguma coisa não está a correr bem.

A crise não pode ser desculpa para a falta de pagamento, é falta de boa vontade, então vamos ter que aplicar sanções a quem não paga – advertiu. Afirmou ser necessário que, no plano político, “os países entendam que estão a trabalhar para um bem comum e quando se quer uma organização dessa dimensão, as suas próprias contribuições têm que ser actualizadas e a participação tem de ser de boa-fé para que a organização possa andar”. Na sua opinião a tarefa de secretário- geral é difícil mas factível, por ter vontade e capacidade de o fazer, mesmo reconhecendo as grandes dificuldades da organização, pelo que prioriza a reestruturação da casa.

Ex-ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti informou, por outro lado, que a maior parte das pessoas em África, mesmo em Angola, não sabe o que é o ACP, perdendo muitos benefícios. “Há muitas coisas de que Angola não beneficiou nem usou como poderia, por exemplo, nos domínios da agricultura familiar, informação, das coisas que as pessoas precisam de saber; o que produzir, onde vender. “Essas coisas estão disponíveis e é uma formação e informação gratuita que pode ser feita por agrónomos angolanos e por técnicos do ACP, mas é necessário que haja esse conhecimento, que haja vontade de aceitar que a África tem grandes dimensões de pobreza e que os problemas devem ser tratados a nível mais local e mais pequeno” – destacou.

Manifestou crença que os ACP podem fazer bem esta tarefa, num momento em que se fez reformas para a descentralizar. “Quer dizer que os programas de desenvolvimento vão ser realizados nas regiões, mas os orçamentos vão passar pelos ACP. “A SADC vai ter os seus programas, África do Leste, África Ocidental, eles vão ter que se organizar para que estejam em condições de receber aquele dinheiro” – sentenciou. Mas para que isto aconteça, explicou que tem de haver uma estrutura administrativa que consiga absorver o dinheiro para implementar os projectos, pois as organizações tendem a falir por insuficiência de gestão.

Sobre a utilização de facto do português como língua de trabalho no Grupo ACP, o ex-ministro das Relações Exteriores minimizou, referindo que “são coisas que se podem ganhar com o tempo. Vamos tendo mais quadros mais dinheiro, porque tudo depende dinheiro, só com o andar do tempo é que se pode ganhar”, Em relação à sua eleição, garantiu que se deveu ao empenho pessoal do Presidente da República, João Lourenço, neste processo. Também falou do engajamento do ministro Manuel Augusto para a sua eleição. O actual embaixador de Angola na Bélgica, Georges Chikoti, foi eleito Sábado, em Nairobi, secretário- geral do grupo África, Caraíbas e Pacífico (ACP), derrotando os candidatos do Malawi, Brave Rona Ndisale, e do Zimbabwe, Chifamba Tadeus Tafirenyika.

A eleição do candidato angolano ocorreu durante a Sessão do Conselho de Ministros do ACP. Georges Rebelo Pinto Chikoti é o primeiro angolano a ocupar um cargo de destaque na ACP e substitui Patrick Gomes que recebeu inúmeras felicitações dos delegados. Natural de Dondi, província do Huambo, nasceu a 6 de Junho de 1955. Georges Chikoti é mestre em Geografia Económica e licenciado em Relações Internacionais pela Universidade de Ottawa, Canadá. Georges Chikoti, que fala fluentemente inglês, francês, português, umbundo e bemba, já trabalhou no Banco Imperial do Canadá, em Toronto, e foi consultor da Agência Canadiana de Desenvolvimento Internacional (CIDA). Em Angola foi vice-ministro das Relações, em 2010 ascendeu a ministro das Relações Exteriores, cargo que exerceu até 2017. Em 2018, foi nomeado embaixador de Angola na União Europeia, no Reino da Bélgica e e no Luxemburgo.

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