Ilha de Luanda pode atrair turistas sem sobrecarga financeira do Estado

Quem o diz é o engenheiro civil Paulo Nobre, mentor do conceito designado “Plano Estratégico de Desenvolvimento da Ilha de Luanda”, apresentado recentemente

Por:Jorge Fernandes

“Plano Estratégico de Desenvolvimento da Ilha de Luanda” prevê várias linhas de força, entre elas o pagamento de taxas turísticas, de saneamento, espaços publicitários, agenda cultural e desportiva e foi apresentado no último Sábado, 7, durante a “Gala do Engenheiro”, realizada na cidade capital, pela Ordem dos Engenheiros de Angola. Por tratar-se de uma zona por excelência turística, o mentor deste plano considera que, para a manutenção das infra-estruturas, melhor mobilidade urbana, respeitando os hábitos e costumes dos povos da referida localidade, pode atrair turis tas e não onerar financeiramente o Estado por via do OGE.

Aplicando-se o pagamento destas taxas, embora alguns comerciantes o façam, face aos impostos ligados às actividades que exercem, o engenheiro contou que qualquer pessoa pode abrir o seu negócio, mas sem pagar quaisquer verbas para a manutenção das infra- estruturas. Por essa razão, e como o Estado não tem disponibilidade financeira para determinadas intervenções, através dos bens disponíveis naquela zona balnear, como as praias, espaços publicitários, realização de eventos entre outras, existem muitas formas de gerar riqueza para a comunidade. “Embora alguns agentes paguem os seus impostos gerando trabalho e bem para famílias, nada contra, mas não há nenhuma verba para manutenção das infra- estruturas, pois achamos que o Estado é quem tem esta responsabilidade. Temos de encontrar formas de reabilitar a Ilha, não só na componente do turismo, como também na vertente urbana e dos bairros”, defende.

Para o efeito, são necessárias formas de dinamizar e de rentabilizar aquela parcela de terra, pelo potencial natural que ela tem, e com isso reinvestir esses montantes daí colhidos, na manutenção das infra-estruturas, a exemplo do que se faz em outras partes do mundo, a exemplo de Copacabana, no Brasil. Paulo Nobre recordou que a iniciativa para criação deste conceito surge na sequência de ver aquela área de lazer a degradar-se e não se encontrar ninguém preocupado com a zona no seu conjunto. Daí que, em conversas com agentes administrativos e não só, viram- se formas de estudar e apresentar soluções. Uma dessas soluções, segundo ainda o engenheiro, tem a ver precisamente com a sua reabilitação e pô-la ao serviço do turismo, dependendo mais do conjunto de cidadãos, do que única e exclusivamente do Estado.

Adubos orgânicos

Um outro projecto apresentado na mesma “Gala do Engenheiro” foi o “Produção de Adubos orgânicos a partir de Resíduos Sólidos”, sob a chancela do engenheiro agro-pecuário Bernardo Karitoco, já em implementação desde 2017, apenas em 10 províncias, sendo inviabilizada a sua expansão e melhoramento dos métodos por escassez de recursos. O mesmo visa a transformação do lixo em adubos orgânicos, para aplicação de produção de diferentes hortícolas, de modos a diversificar a economia e reduzir os custos de importação de adubos químicos, com insumos naturais para a agricultura.

Embora seja um produto registado pelo Instituto de Propriedade Industrial e já esteja a ser implementado em fazendas de 10 províncias do país, nomeadamente Cunene, Huíla,Namibe, Benguela, Cuanza Sul, Bié, Luanda, Bengo, Uíge, Zaire, a sua expansão pelas demais regiões bem como o processo de selecção dos materiais continuam a ser mecanizados por falta de apoios financeiros. De salientar, que na ocasião, foi assinado um protocolo de parceria e equivalência entre a Ordem dos Engenheiros de Angola e a Associação Angolana dos Geofísicos, à luz do qual os geofísicos passam a integrar a OEA como membros extraordinários.

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