Um novo paradigma escolar

Vivemos um novo paradigma, é o que dizem os nossos “novos velhos” políticos. Neste novo paradigma, as pessoas, incluindo os dirigentes, falo de governantes, deputados, administradores municipais, governadores provinciais, etc., vivem do seu salário. Acabou a corrupção e acabaram os negócios encapuçados. Pelos seus discursos, os nossos novos dirigentes e políticos têm a ficha limpa, logo, não estão a ganhar vantagens dos cargos que ocupam, não fazem jogos de influência e nem se corrompem. Pelos seus discursos, apontando sempre uns outros quaisquer como corruptos, embora a nossa memória diga que eles também são os tais outros quaisquer, então temos agora uma classe política e dirigente exemplar no passado e no presente. Mas como a mulher de César não basta ser séria, tendo que parecer também, e como estamos, agora, em época de férias escolares, suponho que estes nossos novos velhos políticos e dirigentes, que chamam corruptos aos outros que eles próprios foram, estejam agora, até porque a vida apertou e os recursos familiares são parcos, a matricular os seus fi lhos e netos nas escolas públicas mais próximas das suas residências. Não, não é um sonho, julgo ser um imperativo para a afirmação do discurso, para parecer, além de ser. E, já agora, para acreditarmos mesmo nas suas palavras, para crermos que além do voto que vale um, tanto do Presidente como do roboteiro, afinal a Constituição nos põe numa igualdade. Sem isso, lamento, não há legitimidade nos discursos e muito menos terei razão alguma para acreditar. É que eu fui ver os seus salários oficiais publicados em Diário da República. E como não creio que eles sejam governantes e políticos de dia e empresários à noite…

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